Alan Greenspan, ex-presidente do banco central dos EUA, morre aos 100 anos

O economista Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, morreu aos 100 anos, anunciou nesta segunda-feira (22) a esposa, Andrea Mitchell.

Ao longo de quase duas décadas à frente do Fed, Greenspan desfrutou de um longo período de expansão econômica, mas também enfrentou momentos de crise, como a recessão de 1990-91.

Críticos atacaram suas políticas ao afirmar que elas alimentaram uma série de bolhas de preços de ativos e prepararam o terreno para a crise financeira de 2008.

“Alan faleceu em nossa casa nesta manhã, aos 100 anos, em decorrência de complicações do mal de Parkinson”, afirmou Mitchell, principal correspondente em Washington da emissora NBC News, em comunicado divulgado pela emissora.

“Ele foi um homem gigante, que ajudou a moldar a economia dos Estados Unidos por décadas sob presidentes de ambos os partidos, mas sempre foi honesto ao reconhecer seus erros”, prosseguiu.

Anos prósperos, anos de crise

Principal formulador da política econômica de sua época, Greenspan esteve à frente da autoridade monetária americana sob quatro presidentes, de ambos os partidos, de 1987 a 2006: Ronald Reagan, George H.W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush.

Greenspan era frequentemente apontado como a segunda pessoa mais poderosa do país, depois do presidente, devido à capacidade do banco central de influenciar a economia por meio de alterações nas taxas de juros de curto prazo.

Grande parte de seu mandato coincidiu com a segunda expansão econômica mais prolongada da história dos EUA, uma década ininterrupta de crescimento entre março de 1991 e março de 2001. E ele foi notavelmente bem-sucedido naquilo que considerava a principal tarefa de um banqueiro central: manter a inflação sob controle.

Sua decisão de deixar a economia seguir aquecida – apesar da pressão para elevar as taxas de juros diante de uma ameaça de inflação que nunca se concretizou – ajudou a impulsionar anos de prosperidade no país e lhe rendeu status de celebridade, como um “maestro” da economia, como era chamado.

Sua avaliação à época era de que um aumento de produtividade manteria a inflação sob controle.

Mesmo tendo administrado com habilidade as taxas de juros, Greenspan relutou em enfrentar um risco que ele próprio reconhecia bem: o fato de que o ambiente de baixa inflação e crédito fácil que ajudou a criar colocava os EUA em perigo ao alimentar ciclos insustentáveis de investimento.

Ele também foi criticado por hesitar em agir à medida que bancos e instituições financeiras adotavam técnicas cada vez mais complexas de negociação, que mais tarde causariam grandes prejuízos.

Em um de seus livros, lançado em 2013, Greenspan argumentou que as previsões econômicas tradicionais não conseguiam acompanhar a tomada de riscos irracionais que podem alimentar bolhas de preços catastróficas, como a ocorrida em 2008.

Músico de jazz

Filho de um corretor de valores, a vida de Greenspan antes das finanças foi marcada pela música. O economista nova-iorquino estudou clarinete na prestigiada Juilliard School e fez turnês profissionais pelos EUA tocando saxofone e clarinete na big band do trompetista Henry Jerome.

Depois de viajar pelo país, ingressou no curso de Ciências Econômicas, no qual se graduou em 1948.

Em 1968, tornou-se assessor da campanha presidencial do candidato republicano Richard Nixon e, após ocupar diferentes cargos nos governos Nixon, Ford e Reagan, foi nomeado por este último para o comando do Fed.

Após 18 anos e meio à frente do banco central, Greenspan continuou a acompanhar os dados econômicos e liderava a sua própria empresa de consultoria, a Greenspan Associates, com forte clientela em Wall Street.

Escreveu as suas memórias e outros dois livros sobre economia, além de ser figura constante na mídia em debates e colunas de opinião. Mais recentemente, defendeu a independência política do Fed dos ataques contínuos do presidente dos EUA, Donald Trump. (Com agências internacionais)