Vice na chapa de Flávio Bolsonaro é investigado no STF por suposto estupro de vulnerável

A política brasileira jamais foi terreno fértil para a coerência e o bom-senso. À sombra desse cenário, políticos desprovidos de vergonha pululam por toda parte. Filho de um golpista condenado e preso, Flávio Bolsonaro, que sonha em anistiar o pai, batalhou até a manhã desta quarta-feira (5) para conseguir uma candidata mulher para ser vice em sua chapa à Presidência da República.

Diante do malogro imposto por partidos do chamado Centrão, o que há de pior na política nacional, Flávio preferiu escolher um deputado federal do PL, Alfredo Gaspar, ex-secretário de Segurança de Alagoas e investigado por suposto estupro de vulnerável.

Escolhido para ser o vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) é alvo de uma investigação no Supremo Tribunal Federal por suposto estupro de vulnerável.

A apuração foi requerida pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) em 27 de março, último dia da CPMI do INSS no Congresso Nacional, da qual Gaspar era relator.

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Aproximadamente um mês após a denúncia, a Polícia Federal (PF) pediu ao STF para abrir inquérito a fim de investigar o caso, cuja relatoria está sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes, decano da Corte.

O ministro do STF Gilmar pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o caso, que tramita em sigilo., mas até o momento não há informação de que o procurador-geral Paulo Gonet tenha se pronunciado.

Há no STF a expectativa de que o parecer da PGR seja divulgado em breve e, ato contínuo, Gilmar Mendes deverá autorizar a abertura de inquérito contra o companheiro de chapa de Flávio Bolsonaro. Gonet, de acordo com informações, teria requerido novas diligências sobre o caso antes de se manifestar em caráter definitivo.

Alfredo Gaspar nega as acusações e alega ser alvo de perseguição política devido à sua atuação como relator da CPMI do INSS. Afirma, ainda, que se submeteu a exame DNA para provar inocência e que é o maior interessado na apuração do caso.

Como qualquer cidadão, Gaspar goza do direito à presunção de inocência, mas em ambiente político polarizado e em meio à disputa pelo Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro deveria ter recorrido ao dito popular sobre Pompeia Sula, segunda esposa do imperador romano Júlio César. Na Roma Antiga, durante viagem do imperador, surgiram boatos sobre a honestidade de Pompeia. Foi o bastante para que os moralistas de então criassem o conhecido bordão “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.