Imprensa insiste em atacar Lulinha, mas adota silêncio obsequioso no caso “Dark Horse”

Não é de hoje que um movimento reprovável toma conta da imprensa brasileira. Há enorme distância entre investigar e denunciar ilícitos e denuncismo puro e simples. Desde que a corrida presidencial passou a dominar a cena política nacional, o denuncismo tem prevalecido em um cenário de crescente polarização.

Nas últimas semanas, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tem sido alvo constante de diversos órgãos de imprensa, que insistem em publicar vazamentos seletivos de investigações da Polícia Federal. Em alguns casos, jornalistas que atuam no meio radiofônico fazem comentários sobre o caso com direito a risos e deboches.

A quem interessa tal postura? Certamente ao golpismo, que continua rondando de forma ameaçadora a democracia brasileira.

Enquanto notícias sobre Lulinha alimentam a peçonha de alguns setores da imprensa nacional, o escândalo do filme “Dark Horse”, que serviu para Flávio Bolsonaro receber R$ 61 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, continua longe do noticiário. É preciso que a imprensa cobre de maneira veemente o destino dado ao dinheiro, uma vez que parte do montante foi enviado aos Estados Unidos.

No caso de Lulinha, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem direito à presunção de inocência até o trânsito em julgado de eventual sentença condenatória, como determina a Constituição Federal.

Contudo, até o momento, a PF, que tem vazado trechos do inquérito que interessam à extrema direita, não apresentou uma única prova de que os alegados negócios com o governo federal foram concluídos, assim como de depósitos bancários. Na verdade, a conclusão preliminar de que não houve consumação de nenhum dos crimes aventados continuam merecendo espaços menores na mídia.

O caso Lulinha trilha o mesmo caminho do malfadado apartamento triplex em Guarujá, no litoral paulista, que nunca pertenceu a presidente Lula. A ex-primeira-dama Marisa Letícia era detentora de cota do empreendimento que à época era administrado pela Cooperativa Habitacional dos bancários de São Paulo (Bancoop), que diante da insolvência transferiu a terceiros os projetos imobiliários.

No caso do filme “Dark Horse”, o senador Flávio Bolsonaro é réu confesso, pois admitiu publicamente que solicitou a Vorcaro recursos para financiar a cinebiografia do pai, Jair Bolsonaro.

Causa espécie a postura do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que não avança com as investigações sobre a cinebiografia de Bolsonaro, responsável indicar o “terrivelmente evangélico” à Corte

O UCHO.INFO não tem procuração para defender Fábio Luís Lula da Silva, algo que jamais faria, mas é preciso isonomia por parte da imprensa diante de ambos os casos. Insistir no caso de Lulinha sem as devidas provas e silenciar diante do escândalo “Dark Horse”, no qual Flávio Bolsonaro confessou a prática do ilícito, sugere jornalismo de encomenda.