
Emparedado por conta da reverberação da crise institucional que tomou conta do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça começa a adotar medidas para minimizar os estragos de uma atitude impensada cujo objetivo era interferir no processo eleitoral.
Na terça-feira (8), Mendonça flexibilizou medidas cautelares contra seis investigados no âmbito da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. O gabinete do ministro prevê que algumas prisões poderão ser revogadas.
A manifestação de Mendonça acontece no vácuo da escalada da crise no STF, decorrente com o embate com o também ministro Alexandre de Moraes, flagrado em roca de mensagens nada republicanas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Dando sequência à demonstração de bom-mocismo e na tentativa de minimizar a inequívoca interferência no processo eleitoral, André Mendonça homologou, nesta quarta-feira (9), o acordo de colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.
Doleiro ligado a Vorcaro, “Mineiro” foi responsável pelas transferências de recursos ao fundo de investimentos estadunidense Havengate, responsável por supostamente administrar o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do golpista condenado e preso Jair Bolsonaro.
No acordo de delação firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Freixo Júnior detalha não apenas os repasses no total de US$ 12 milhões ao fundo Havengate, através da empresa Entre Investimentos e Participações, mas também afirma que as transferências foram solicitadas por Vorcaro, após cobranças de Flávio Bolsonaro.
Além disso, Freixo Júnior confidenciou o pagamento de propinas no exterior a diversos políticos e autoridades, cujos nomes estão sob sigilo. É importante lembrar que o delator assume o compromisso de revelar fatos factíveis e passiveis de comprovação, sob pena de, assim não fazendo, o acordo ser considerado nulo, sem invalidar as provas apresentadas.




