
A pasmaceira que embala o ministro Luiz Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), é tão assustadora quanto preocupante. A falta de atitude de Fachin diante da grave crise que chacoalha o STF faz com que o caos institucional cresça em progressão geométrica, causando danos sérios ao País, à democracia e ao processo eleitoral.
O presidente da Corte sabe da inconstitucionalidade e da arbitrariedade da decisão do ministro André Mendonça, que em decisão monocrática referendada por dois magistrados sabidamente bolsonaristas (Kassio Nunes Marques e Luiz Fux) determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência policial da corporação, Leandro Almada da Costa.
Fachin já deveria ter entrado em cena para evitar o alastramento da crise, mas preferiu declarações vazias e movimentos ineficazes, pois por trás do caos instalado está um projeto político da extrema direita de refundar o País sob o manto do conservadorismo obtuso e retrógrado, não sem antes anistiar os golpistas do 8 de janeiro.

Andrei Rodrigues e Leandro Almada foram reincorporados aos respectivos cargos nesta quarta-feira (9), na esteira de decisão do ministro Flávio Dino, que destacou o perigo da interrupção das investigações e do trabalho de inteligência policial.
Fachin, que insiste na inércia, cancelou a sessão plenária da Corte sob a justificativa de buscar um armistício. A Fachin falta pulso para chamar os responsáveis pela crise – Alexandre de Moraes e André Mendonça – e pedir a imediata saída de ambos da Corte, em nome da democracia e da estabilidade institucional.
Além disso, a relação de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro é caso de polícia e de prisão, algo que em qualquer país minimamente sério já teria ocorrido. Em relação a Mendonça, o fato ter recebido Vorcaro em reunião e o episódio da alfaiataria de endinheirados requerem investigação.
Há dias, Mendonça apresentou notas fiscais para provar que não recebeu de presente os produtos adquiridos na elegante e cara alfaiataria de Vasco Vasconcellos. Causa espécie a apresentação de duas notas fiscais no valor total de R$ 26.430,00 por alguém que dias antes afirmou que o salário de um integrante do STF proporciona vida de classe média, sem se preocupar com as contas cotidianas. Para quem recebeu, em média, entre janeiro e julho de 2026, salário líquido de R$ 26 mil, a ida a tal alfaiataria consumiu o rendimento de um mês.
Voltando ao STF… O ministro Edson Fachin, que continua postergando a toma de decisões firmes, considerou a decisão de Flávio Dino um “atropelo”. Ultrapassa as fronteiras da irresponsabilidade a perigosa indecisão de Fachin, que parece não se importar com o caos instalado.



