
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) parece não ter fim. Enquanto isso, o presidente da Corte, ministro Luiz Edson Fachin, continua em estado de quase letargia. Fachin busca um armistício para conter a escalada da crise, mas tudo indica que a investida não produzirá o resultado esperado, pois por trás do caos instalado há um projeto político da extrema direita, que objetiva tumultuar o processo eleitoral.
Logo após a determinação do ministro Flávio Dino de reintegrar aos respectivos cargos os diretor-geral e o diretor de inteligência da Polícia Federal, André Mendonça telefonou para o presidente da Corte pedindo para que a decisão do colega de tribunal fosse considerada ilegal. Mendonça e seus assessores souberam da decisão de Dino pela imprensa.
Beira a insensatez a atitude de André Mendonça, pois no campo da ilegalidade a decisão do relator do caso master chegou com antecedência. A determinação de Mendonça de afastar dois diretores da PF é não apenas inconstitucional, mas ilegal e arbitrária.
Oste ou não Mendonça, sua decisão foi marcada por usurpação de competência, pois é prerrogativa do presidente da República nomear e exonerar diretores da Polícia Federal, órgão ligado ao Ministério da Justiça.

A cruzada do irascível André Mendonça, que tem como pano de fundo a campanha de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto, é inócua, mas conta com um ingrediente religioso que explica o fato de ter sido indicado ao STF: é “terrivelmente evangélico”.
Mendonça, em vídeo publicado na plataforma Youtube, justifica aos irmãos de fé que suas decisões são missão de Deus para limpar o Brasil. No patético vídeo, Mendonça recorre à vitimização, destacando o que tem enfrentado na Corte, e afirma que “Jesus é quem vai estabelecer o governo”.
Como afirmamos em matéria anterior, o Brasil continua como nação laica e, até prova em contrário, o STF não é tabernáculo de cristãos pentecostais que a reboque do oportunismo misturam religião e política como forma de ludibriar os incautos.
Configura deboche a atitude de Mendonça de classificar como “ilegal” a decisão do ministro Flávio Dino, que não se deixa levar pelo fundamentalismo religioso de alguns togados.



