Zambelli e o golpista Jair Bolsonaro creem que pena de prisão é algo relativo e sem importância

No terreno da política brasileira, assim como na de muitos países, a desfaçatez se faz presente a todo momento. Na verdade, a extensa maioria dos políticos do País frequentam a vala da desfaçatez de forma contínua.

Há dias, a ex-deputada bolsonarista Carla Zambelli, que fugiu para a Itália como forma de escapar da prisão, requereu ao Supremo Tribunal Federal (STF) um salvo conduto para retornar ao Brasil com o intuito de votar nas eleições de outubro, sem correr o risco de ser presa.

A desfaçatez de Zambelli é algo desmedido, pois já transitou em julgado as condenações pelo ataque hacker aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça e inserção de falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes (dez anos de prisão), e pelo incidente em que apontou uma arma de fogo para um homem em São Paulo (cinco anos e três meses de prisão).

O objetivo da ex-parlamentar é retornar ao Brasil para votar na própria mãe, Rita Zambelli, candidata a deputada federal por São Paulo.

“Sua intenção é estar em território nacional para participar do processo eleitoral e exercer seu direito de voto, inclusive em favor de sua própria mãe, candidata no pleito, com posterior retorno à Itália. Trata-se de decisão pessoal, concreta e temporalmente delimitada, vinculada ao exercício presencial de um direito político”, destaca o documento protocolado junto ao STF.

Em suma, Carla Zambelli empreendeu fuga para não cumprir penas impostas pela Justiça brasileira, mas a defesa comete desmedida ousadia ao mencionar direitos políticos.

A extrema direita nacional parece não ter limites quando o assunto é apresentar pedidos absurdos à Justiça. Desta vez, a ousadia ficou por conta de Jair Bolsonaro, que cumpre pena de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Faltando poucos dias para o primeiro turno das eleições, Bolsonaro pediu ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF, a suspensão da sua prisão. De acordo com a solicitação, a medida valeria até que o STF analise o pedido de revisão criminal da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado.

A defesa de Bolsonaro quer suspender a execução da pena de 27 anos e três meses de prisão imposta ao golpista, sob o argumento de que a continuidade da prisão durante o processo de revisão “pode produzir dano irreparável”, porque Bolsonaro tem 71 anos e está submetido à “restrição máxima à liberdade”.

Em outras palavras, Jair Bolsonaro não se preocupou com a própria idade quando atentou contra a democracia, além de ter ignorado qualquer problema de saúde enquanto liderava a trama golpista.

Se o descabido pedido de Bolsonaro ao STF não tem como objetivo a possibilidade de votar em Flávio e Michelle Bolsonaro, que disputam a Presidência e uma vaga no Senado pelo Distrito Federal, respectivamente, por certo serviria para levar adiante um plano de fuga para os Estados Unidos, onde Donald Trump e o filho (Dudu Bananinha) o aguardam ansiosos.