Em debate na Globo, Tarcísio ‘amarelou’ quando questionado sobre o crime organizado

No debate realizado pela TV Globo, na noite de terça-feira (29), com os candidatos ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), o atual governador, quando questionado sobre a infiltração de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em diversos setores da economia, preferiu divergir na resposta.

Tarcísio respondeu ao candidato petista que recentemente foram presos dois integrantes do PCC em setembro de 2026, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), em operação conjunta entre a Polícia Civil de São Paulo, a Polícia Federal e autoridades bolivianas.

O governador de São Paulo não demorou a mudar de assunto, pois é de conhecimento público o envolvimento de policiais com o PCC, como tem alertado o UCHO.INFO nos últimos anos e confirmado na delação de Vinicius Gritzbach, assassinado a tiros, em dezembro de 2024, no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Deixando de lado a exaltação de Tarcísio de Freitas à operação policial, o governador precisa explicar à população os motivos da não prisão de André de Oliveira Macedo, conhecido como “André do Rap” e um dos chefes do PCC, que estava na Bolívia.

Colocado em liberdade em 10 de outubro de 2020 devido a um descabido habeas corpus concedido pelo então ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), André do Rap está foragido desde que deixou a prisão.

Tarcísio de Freitas deve saber que policiais paulistas, que combatem o tráfico internacional de drogas em conjunto com autoridades dos Estados Unidos, informaram à Polícia Civil de SP, em 2019, o paradeiro de André do Rap, que na ocasião estava escondido em Angra dos Reis, no litoral sul fluminense.

O traficante, que estava foragido desde 2014, foi preso, mas deixou a prisão em 2020, como citado acima. O relaxamento da prisão de André do Rap, com base em habeas corpus, só foi possível porque durante a operação policial em Angra dos Reis boa parte do material apreendido não foi juntada ao inquérito e, ato contínuo, tampouco à respectiva ação penal.

Causa estranheza o fato de que abnegados policiais civis de São Paulo que combatem o crime organizado e o tráfico internacional de drogas não são promovidos, apesar da grande e inequívoca contribuição à segurança pública.

Transporte urbano

Na cidade da São Paulo, a maior do País, mais de 40% dos usuários de ônibus são transportados diariamente por empresas ligadas ao PCC. Há anos que o assunto é de conhecimento das autoridades, que nada fazem.

O crime organizado controla quase metade da operação de ônibus em São Paulo, mas a prefeitura e o governo estadual ficam como mero espectadores. Manifestam-se apenas quando o assunto chega ao noticiário, alegando surpresa.

O governador Tarcísio de Freitas precisa vir a público para explicar aos contribuintes o que fazem os “arapongas” do serviço de inteligência do Estado.