Kassio contraria Flávio e diz que mudança no horário da votação não interferiu no resultado da eleição

O pior perdedor é aquele que não reconhece a derrota. Tal pensamento serve para Flávio Bolsonaro, que em pronunciamento afirmou que não reconhece o resultado da disputa presidencial. O presidenciável do PL disse que “não vai desistir do Brasil” e pedirá à Justiça Eleitoral a anulação do segundo turno.

Vítima da própria soberba, que o levou a subir a rampa do Palácio do Planalto antes da hora, Flávio alegou que prorrogação do horário de votação é algo inédito, o que não condiz com a verdade. Em 2020, em meio à pandemia de Covid-19, houve alteração no horário padrão de votação, quando as eleições municipais foram antecipadas em uma hora.

Na ocasião, o ministro Luís Roberto Barroso definiu o horário de votação das 7h às 17h (horário de Brasília), decisão que valeu para o primeiro turno, realizado em todo o País no dia 15 de novembro, e para o segundo, que ocorreu em 29 de novembro em 57 cidades brasileiras.

À época, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) justificou a ampliação como uma forma de garantir mais segurança aos eleitores, redução de filas e menor aglomeração de pessoas nos locais de votação. Com a decisão, o período entre 7h e 10h foi preferencial para as pessoas acima de 60 anos, consideradas como de risco para o coronavírus.

Flávio pode espernear à vontade diante do resultado da eleição, mas questionar a decisão que estendeu o horário de votação configura inequívoco absurdo. Ele próprio solicitou a prorrogação do horário nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, sob a justificativa de que fortes chuvas, alagamentos e falta de energia dificultaram a chegada de eleitores aos locais de votação.

Em seu desabafo, Flávio mencionou o fato de Cristiano Zanin Martins ter sido advogado do presidente Lula. Em tom maldoso, citou “ministros de Lula” no STF, mas esquece que Kassio Nunes Marques foi indicado ao Supremo pelo pai, o então presidente Jair Bolsonaro, com marcante atuação do próprio senador.

Sobre o anúncio de que pedirá a anulação da eleição, Flávio Bolsonaro deve reavaliar a fala no calor do momento, uma vez que o presidente do TSE, em pronunciamento à imprensa e ao País, disse textualmente que a mudança no horário da votação não interferiu no resultado da eleição.

“Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”, declarou Nunes Marques.

O ministro do TSE também relatou ter telefonado aos dois candidatos à Presidência da República para confirmar o resultado definitivo da disputa presidencial. No pronunciamento, dedicou palavras a ambos os candidatos.

“Ao candidato Flávio Bolsonaro, que pela primeira vez disputou a eleição presidencial e conquistou votação expressiva, parabenizo pela campanha”, disse.

“Ao Presidente Lula, registro o reconhecimento da Justiça Eleitoral por sua participação em mais este processo democrático e pela vitória nas urnas. Sua trajetória política atravessa diferentes períodos da história democrática brasileira. Participou como candidato de 8 eleições, tendo vencido 4 delas”, afirmou.