
O golpe operado por diversos prefeitos que apoiam a candidatura de Flávio Bolsonaro deveria servir de base para um pedido de anulação da eleição presidencial. Várias cidades brasileiras registraram redução do número de ônibus em circulação neste domingo (25), apesar da determinação da Justiça Eleitoral para que 100% das frotas estivessem em circulação, sem cobrança de tarifa.
O escândalo maior ocorreu na cidade de São Paulo, onde 40% dos ônibus permaneceram nas garagens das concessionárias de transporte coletivo. Maior colégio eleitoral do País, a capital paulista foi alvo de dezenas de milhares de reclamações de eleitores que enfrentaram dificuldade para chegar aos locais de votação.
Na esteira da desfaçatez que lhe é peculiar, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), bolsonarista conhecido, negou que tenha ocorrido falta de ônibus na cidade neste domingo (25) e acusou os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de explorarem o tema com fins eleitorais.
“Não temos falta de ônibus, a demanda está sendo atendida. É uma estratégia muito ruim que estão usando”, disse Nunes ao jornal Folha de S.Paulo. Trata-se de crime e eleitoral e causaria estranheza se Ricardo Nunes se declarasse culpado. O PT acionou o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) e pediu a prisão do secretário de Transportes da capital, Celso Jorge Caldeira.
A SPTrans, responsável pelo transporte municipal, afirmou em nota ter sido alertada com pouca antecedência pelo TRE sobre a exigência de frota completa e que tal fato gerou dificuldades operacionais. Em suma, Ricardo Nunes mente de forma deliberada, algo comum, enquanto a SPTrans tenta justificar o problema.
O ministro Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, anunciou neste domingo (25), pelas redes sociais, que pedirá ao TRE-SP a prisão do prefeito Ricardo Nunes e do secretário Celso Jorge Caldeira. “Vamos pedir a prisão de Ricardo Nunes e do Secretário Municipal de Transportes ao TRE/SP. Já há o precedente de Salvador. Não vão impedir o povo de votar com golpe baixo!”, publicou Boulos.

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O plano golpista, que macula as eleições, contou com a participação de vários atores, a começar pelo ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que apesar de ter ciência dos problemas relacionados ao transporte coletivo em diversas cidades brasileiras, demorou a tomar uma decisão. Nunes Marques só o fez após decisão do ministro Cristiano Zanin Martins, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu o horário de votação até as 19 horas.
Na sequência, Kassio Nunes Marques anunciou que a extensão do horário estava valendo apenas para as seções eleitorais que permaneciam abertas. Como a decisão do presidente do TSE foi tomada após as 17 horas, a maioria das urnas eleitorais já estava lacrada.
O golpe começou a ser comprovado logo depois da decisão de estender o horário de votação. Pablo Marçal, que está inelegível, criticou a decisão do ministro Zanin Martins, alegando que o magistrado desrespeitou a autoridade do TSE.
Marçal critica a decisão de Zanin, mas ignora que Flávio Bolsonaro solicitou ao TSE a ampliação do horário de votação em São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul por conta de condições. Vale lembrar que os estados do Sul são redutos bolsonaristas. A preocupação de Flávio era com a horda de apoiadores nos estados sulistas, não com os eleitores que, vítimas do golpe rasteiro, não puderam votar.
Diante do golpe do ônibus, da estreita margem que separam os presidenciáveis em relação a votos válidos, o UCHO.INFO defende a anulação da eleição, cabendo ao TSE agendar novo sufrágio.



