
A fuga do derrotado Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, cujo governo concederá asilo político ao senador sem motivo concreto que justifique tal status, começa a ser explorada pelo bolsonarismo como forma de manter a horda de apoiadores.
Nas primeiras horas desta terça-feira (27), quando o paradeiro de Flávio se tornou objeto de questionamentos, aliados do senador passaram a tratar do assunto com ironia e deboche, como se a verdade não fosse conhecida.
Deputado federal reeleito e um dos operadores do radicalismo torpe da extrema direita, Nikolas Ferreira recorreu ao sensacionalismo criminoso e à vitimização para comentar a fuga de Flávio.
“Se um candidato a presidente que recebe 60 milhões de votos precisa (supostamente) sair do país, que segurança tem um cidadão comum que se opõe ao atual regime?”, escreveu nas redes sociais.

Flávio Bolsonaro não fugiu para os Estados Unidos por fazer oposição ao governo do presidente Lula, que derrotou o candidato do PL com vantagem de mais de 4,4 milhões de votos, mas porque é alvo de dois inquéritos da Polícia federal que tramitam no STF. Um dos inquéritos investiga possível lavagem de dinheiro em parceria com o advogado Willer Tomaz.
Em outro inquérito, a Polícia Federal apura o envolvimento de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro do liquidado Banco Master, que pagou R$ 61 milhões, de R$ 134 milhões solicitados, para supostamente financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de um cidadão condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e de abolição do Estado Democrático de Direito.
A boquirrota tese de perseguição política que alguns próceres do bolsonarismo tentam emplacar é absurda e criminosa, pois Flávio decidiu fugir porque sabe que cedo ou trade faria companhia ao pai, que por enquanto está em prisão domiciliar.
É importante que as autoridades brasileiras redobrem a atenção diante da investida vitimista do bolsonarismo, que serve para agitar a massa de apoiadores para levar adiante eventual nova tentativa de golpe. Não se pode ignorar que Flávio tomou emprestado do pai o roteiro do fracassado 8 de janeiro.
Que ninguém caia na esparrela de Flávio Bolsonaro e seus aduladores masters, pois por trás da mambembe novela golpista estão Donald Trump e um punhado de extremistas estadunidenses. É importante destacar que os EUA participaram diretamente na logística do plano de fuga de Flávio.



