
Brasileiras e brasileiros de bem, defensores da democracia, apertem os cintos porque o delírio bolsonarista já começou. Sem se preocupar com a vexatória pecha de fugitivo, Flávio Bolsonaro, já instalado em Miami com a família, voltou a abusar do devaneio em comunicado direcionado aos brasileiros e à comunidade internacional.
No documento divulgado na tarde desta quarta-feira (28), Flávio afirma ser o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e agradece nominalmente os presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, pela fuga.
Ele chegou aos Estados Unidos na manhã de hoje, após fugir do Brasil por meio de uma operação secreta com apoio do governo argentino e a coordenação do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
“Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão”, escreveu.
No documento, Flávio refere-se ao governo Lula como “regime” e afirma ter sido vítima de perseguição por parte do Judiciário. Ele cita a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a apreensão de seus passaportes (não entregues).
Como esperado, em nova demonstração de surto no torvelinho golpista, Flávio destacou o que chama de perseguição ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de prisão, em regime domiciliar, por tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito.

No comunicado, Flávio afirma, sem apresentar provas, ter sido vítima de fraude eleitoral no segundo turno da eleição presidencial no Brasil, no último domingo. Ele responsabilizou o ministro Cristiano Zanin, Martins, do STF, pelo resultado da eleição que deu vitória a Lula, o que o senador considerou “sacanagem” e “fraude”.
Zanin prorrogou votação até as 19h após relatos de redução da frota de ônibus e dificuldades de deslocamento de eleitores, principalmente em São Paulo e na Bahia. A própria campanha de Flávio fez pedido idêntico à Justiça Eleitoral, mas tal detalhe não importa no escopo do discurso marcado pela vitimização e pelo golpismo.
O texto de Flávio Bolsonaro merece atenção redobrada, pois contém termos propositalmente inseridos para passar a falsa sensação de que o Brasil vive sob uma ditadura e sua família, investigada por crimes diversos, é vítima de perseguição judicial, o que não condiz com a realidade. Esse enredo poderá ser utilizado para convencer Donald Trump e o secretário Marco Rubio da necessidade de investida golpista no Brasil, a exemplo do que ocorreu em Caracas.
Não se pode esquecer que, atendendo a um absurdo pedido da família Bolsonaro, Donald Trump anunciou recentemente a decisão de classificar como organizações narcoterroristas as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Foi com base na tese de narcoterrorismo que Trump ordenou a invasão da Venezuela e a captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores.
Causa espécie o fato de Donald Trump conceder o status de asilado a alguém com comprovada ligação com a milícia e ser alvo de investigação por lavagem de dinheiro e crimes correlatos.
Em matéria anterior, o UCHO.INFO afirmou que a fuga de Flávio Bolsonaro esconde um projeto de golpe contra a democracia brasileira, já está em gestação na coxia da Casa Branca. Diante do nosso balizado alerta, a súcia bolsonarista se rebelou.


