(*) Ucho Haddad
Antes do segundo turno da disputa presidencial, exercendo o meu direito à liberdade de expressão, publiquei foto fazendo o “L” e com a camisa da seleção, assim como milhões de brasileiros defensores da democracia. Por razões óbvias, portanto sem surpresas, fui atacado covardemente por um punhado de sabujos do bolsonarismo, para quem a livre manifestação do pensamento é exclusividade dos golpistas.
Fui chamado de velho, comunista, petista e outros adjetivos, mas a consciência permaneceu intacta – e assim está. Canalhas sugeriram que recebera dinheiro do PT para escrever contra o covarde e fujão Flávio Bolsonaro. Os ataques rasteiros começaram dias antes, quando afirmei ser uma ode à fraude a entrevista que lobista e socialite concedeu a uma emissora de televisão.
Aos que não têm argumento, nem tutano, só resta atacar de maneira torpe.
A camarilha não se conteve e migro para a seara do crime cibernético, na vã tentativa de me intimidar. Patifes, recorreram à “deep web” para derrubar o UCHO.INFO, mas não lograram êxito. O sistema de defesa do site não é infalível, mas resistiu à investida da horda.
Em 2018, muito antes do início oficial da corrida ao Palácio do Planalto, afirmei que o Brasil correria o risco de ser alvo de um golpe caso Jair Bolsonaro fosse eleito. Fiz tal afirmação, sem medo, por conhecer a trajetória de quem foi expulso do Exército por comportamento subversivo. À época fui acusado de ser financiado pelo bilionário e filantropo George Soros, mas até hoje não vi a cor do seu dinheiro.
No domingo, 25 de outubro, votei pela democracia, contra o retrocesso e o autoritarismo. Vivi as agruras da ditadura militar, que o bolsonarismo defende com a saliva escorrendo pelo canto da boca, por essa razão escolhi o lado certo da história.
Quem me acusa de ser petista sequer conhece o meu trabalho como jornalista político e investigativo. Foram tantas denúncias de corrupção e crimes correlatos, inclusive contra o PT, que canso só de lembrar. Não fiz fuzarca por ter denunciado corruptos, não concorri a prêmios e outros badulaques que atravancam a estante. Mantive a sobriedade porque essa é minha obrigação como jornalista.
Destaco frase amplamente atribuída a Sigmund Freud, mas desconheço a veracidade da autoria: “Existem duas maneiras de ser feliz nesta vida, uma é fazer-se de idiota e a outra sê-lo”.
Prefiro me fazer de idiota!
Confiantes na vitória de Flávio, os pulhas que lançaram o desafio, marcando dia e hora para retomar uma conversa pintada previamente como carraspana, fugiram covardemente, assim como fez o candidato e salvador da pátria de camelô.
Não sou dono da verdade, nem ouso sê-lo, assim como abomino a soberba de quem chafurda no cocho da delinquência intelectual. Depois de 50 anos de jornalismo, 45 dedicados à política e seus subterrâneos, creio que tenho condições para discutir (no bom sentido) o tema em alto nível e com civilidade, sempre escutando e respeitando o contraditório.
Esses tempos sombrios, que voltam a ameaçar o Brasil, me ensinaram que a súcia bolsonarista desconhece o mais raso significado de democracia e de liberdade, algo que defende a plenos pulmões, no genuflexório do golpismo.
Em 1987, o saudosíssimo Zé Rodrix, um dos gênios do universo da propaganda brasileira, que me presenteou com sua amizade, assinou jingle de campanha da GM com frase que traduz o meu comportamento diante dos párias do golpismo: “Enquanto o mundo perde a forma, eu me encontro em mim”. É isso, passo ao largo da estupidez alheia e “me encontro em mim”. (Clique e confira a obra-prima)
Nesta terça-feira, 27 de outubro, noticiei que a fuga de Flávio Bolsonaro contou com a participação da Casa Branca e tinha como pano de fundo um plano de golpe contra a democracia brasileira. Foi o bastante para súcia a bolsonarista se agitar diante da verdade, confirmada algumas horas depois pela grande imprensa. Sem o devido crédito, claro, pois sempre há uma fila de candidatos à paternidade do furo de reportagem.
Fiquem tranquilos e à vontade, golpistas, porque, parodiando o genial Zé Rodrix, “quando o mundo perde a forma, eu me encontro em mim”.
Em tempo… Continuo aguardando os pusilânimes para a conversa marcada para a noite do último domingo. Vade retro!
(*) Ucho Haddad é jornalista político e investigativo, analista e comentarista político, fotógrafo por devoção.
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