
Em 2018, antes do início oficial da corrida ao Palácio do Planalto, afirmamos que caso Jair Bolsonaro fosse eleito, a democracia brasileira correria sério perigo. Enfrentamos uma avalanche de ataques covardes, mas não recuamos e mantivemos a opinião. Quatro anos depois, Bolsonaro provou que estávamos certos.
Depois da desastrada intentona de 8 de janeiro de 2023, ressaltamos que a ameaça de golpe continuava a rondar a nossa democracia e o Estado de Direito. Ao longo de quatro anos, a tropa golpista fez de tudo para inviabilizar o governo do presidente Lula, em algumas ocasiões com o apoio do nefasto Centrão, que, como sempre ressaltamos, é o que há de pior na política nacional.
A fracassada candidatura de Flávio Bolsonaro, que após derrota fugiu para Miami, foi o prenúncio de que nova tentativa de golpe de Estado estava a caminho. Diferentemente do que afirmou Flávio durante a campanha, o plano de golpe estava pronto para ser executado logo após a posse.
Nesta quarta-feira (4), o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, lançou sua candidatura à presidência do Senado, como contraponto ao projeto de reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP).
Com o objetivo de conquistar os votos dos senadores do PL (leia-se extrema direita), Alcolumbre sinalizou com a possibilidade de anistiar os golpistas de 8 de janeiro, a começar por Jair Bolsonaro.

Colocar a democracia no cadafalso em nome de um projeto político é inequívoco absurdo, algo que merece ruidoso protesto dos brasileiros de bem. Caso esse plano avance, ficará a sensação de que tentativas de golpe de Estado compensam o risco de acabar atrás das grades.
Por outro lado, Rogério Marinho tem como projeto o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a concessão de anistia aos golpistas de 8 de janeiro.
Em relação ao impedimento de Alexandre de Moraes, o UCHO.INFO entende ser difícil o plano prosperar, não impossível, pois muitos políticos são alvo de investigações em tramitação no STF.
No que tange à anistia aos golpistas, é grande a possibilidade de a proposta ser aprovada, mas o Brasil mergulharia em uma crise institucional sem precedentes, abrindo caminho para nova tentativa de golpe. Isso porque a anistia, se aprovada no Senado, será considerada inconstitucional pelo STF, como já informamos. Contrariada, a extrema direita partiria para o “tudo ou nada”.
Como capítulo adicional, os parlamentares oposicionistas poderão colocar no radar o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por motivos frágeis, como forma de alargar a crise.



