Votação da LDO revela fraude na presença de deputados no plenário da Câmara

Escapada programada – No último dia de trabalho no Congresso Nacional antes do chamado recesso parlamentar, os deputados federais, que se dizem representantes do povo, deram mostra inequívoca do pouco comprometimento dos políticos com as causas de interesse do Brasil e dos brasileiros.

No momento em que a Câmara dos Deputados se preparava para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o painel do plenário registrava, na noite de terça-feira (17), a presença de 409 parlamentares. Contudo, um rápido passeio visual pelo plenário da Câmara permitia verificar que apenas sete deputados estavam a postos para votar a LDO. Registrar presença no plenário, como forma de não perder o ponto, e depois viajar é algo comum no Congresso, o que não significa que seja legal.

Acostumado de algumas semanas para cá a lições de moral, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), deixou Brasília no começo da tarde, mas horas depois, à noite, seu nome constava como presente no plenário. Em um país minimamente sério, Jilmar Tatto certamente seria alvo de um processo pro quebra de decoro parlamentar. Não faz muito tempo, Jilmar Tatto defendeu o impeachment do tucano Marconi Perillo, alegando que o governador de Goiás mentiu durante depoimento na CPI do Cachoeira. Como a mentira tem perna curta e o tempo é o senhor da razão, Tatto deve explicações sobre o seu sumiço, pois do contrário a Câmara tem o dever de cortar o ponto do petista e de todos os outros que não compareceram à votação da LDO.

Truque conhecido

Esse tipo de artimanha não é novidade no meio político, em especial na capital dos brasileiros, onde políticos adotaram tal conduta vexatória como usual. Filiados ao Partido dos Trabalhadores, os deputados federais Vicentinho e João Paulo Cunha conseguiram a proeza de concluir o curso de Direito durante o exercício do mandato parlamentar. Enquanto estavam na Câmara, as respectivas faculdades registravam a presença de ambos, e vice-versa.

Na ocasião, questionados pelo ucho.info sobre o milagre da onipresença, Vicentinho e o mensaleiro João Paulo Cunha não deram explicações convincentes.