Petrolão: comodismo da oposição exige que brasileiros saiam às ruas para salvar o País

corrupcao_16Preguiça oficial – A oposição parece estar dormindo berço esplêndido, pelo menos nesse período de recesso parlamentar, enquanto o segundo governo da petista Dilma Vana Rousseff – na verdade é um novo desgoverno – abre sua caixa de Pandora. Isso porque são muitas as maldades que descem a rampa do Palácio do Planalto, todas com dose extra de peçonha.

Desde que perdeu a corrida presidencial, em 26 de outubro passado, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tenta catalisar o movimento de oposição do governo do PT, mas sua liderança não tem sido convincente, especialmente para quem sonha em disputar a Presidência da República em 2018.

No afã de aumentar o domínio sobre o Congresso Nacional, o PT lançou sobre a opinião pública factoides rasteiros e covardes no vácuo do Petrolão, o maior escândalo de corrupção da história nacional. Para impulsionar a candidatura de Arlindo Chinaglia, que concorre à presidência da Câmara dos Deputados, o PT turbinou uma informação que derreteu em questão de dias: que o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, teria enviado dinheiro ao deputado federal Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB na Câmara, e ao tucano Antonio Anastasia, senador eleito pelo PSDB e ex-governador de Minas Gerais.

A estratégia, que fracassou, tinha como meta minar a candidatura de Eduardo Cunha, que tem grande chance de presidir a Câmara dos Deputados a partir de 1º de fevereiro, e atingir Aécio Neves através de ataques a Antonio Anastasia. As ilações teriam surgido a partir do depoimento do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, que atuava como “trem pagador” do doleiro da Lava-Jato.

Na expectativa de ter seu acordo de delação premiada referendado, Alberto Youssef, por meio do seu advogado, informou à Justiça que não conhece Eduardo Cunha e Antonio Anastasia, assim como jamais enviou dinheiro a qualquer um dos citados. O próprio policial federal retificou seu depoimento, alegando que a casa no Rio de Janeiro em que entregou um valor em dinheiro seria de propriedade de Eduardo Cunha. Na portaria do condomínio Oliveira Filho foi informado que o parlamentar não residia no local. Em relação a Antonio Anastasia (PSDB-MG), o policial disse que o doleiro havia dito que o dinheiro entregue em Belo Horizonte destinava-se ao ex-governador mineiro.

Que o PT joga sujo todos sabem, mas silenciar diante de mais um escândalo é ser conivente com a avalanche de desmandos que varre o País de norte a sul. O PT, como disse a reeleita Dilma Rousseff, faz o diabo na hora da eleição, mas é inaceitável que notícias esculpidas com o cinzel da malandragem, nos subterrâneos do poder, vaguem pela nação como sendo uma ode à verdade. E quando a mentira é descoberta, a oposição reage de forma acanhada e covarde.

Se os partidos de oposição precisam esperar até o dia 1º de fevereiro para avançar contra os alarifes que insistem em assaltar os cofres federais e continuam atropelando a dignidade do País, o melhor é a população sair às ruas, antes que seja tarde demais. Até porque, nos bastidores da Lava-Jato há um intenso movimento para desqualificar a operação da Polícia Federal, o que se dará, esperam os envolvidos, não apenas por meio de chicanas jurídicas conhecidas, mas por um cipoal de notas fiscais fraudulentas que foram emitidas para esquentar o dinheiro da corrupção.

Imaginar que uma nova CPMI da Petrobras, a ser criada nas primeiras horas da próxima legislatura, esclarecerá o monstruoso esquema de corrupção que saqueou os cofres da estatal é o mesmo que passar atestado de tolice. Comissões Parlamentares de Inquérito, mistas ou não, são instrumentos legislativos e direito das minorias, mas não passam de palanque político para uma classe que pensa apenas e tão somente nos próprios interesses. Não custa destacar que política é um clube privado de negócios milionários, cujo ingresso exige muito dinheiro para quem deseja participar da lambança. Lembrando que em qualquer setor da sociedade há as honrosas exceções.

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