Delação de Youssef e destempero de Gabrielli podem colocar Dilma e Lula no centro do Petrolão

dilma_rousseff_407Fechando o cerco – O acordo de delação premiada do doleiro Alberto Youssef, investigado e preso na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, prevê pena máxima de cinco anos de prisão, desde que o réu devolva à Justiça bens e recursos financeiros, no Brasil e no exterior, identifique todos os envolvidos no Petrolão, o maior escândalo de corrupção da história verde-loura. Homologado pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), o acordo também fixa uma regalia para o doleiro: direito a cela especial durante o cumprimento de pena de prisão.

Quando Youssef começar a identificar os envolvidos no esquema de desvios de recursos da Petrobras e de pagamento de propinas a políticos e partidos, a Operação Lava-Jato definitivamente subirá a rampa do Palácio do Planalto, como antecipou o UCHO.INFO em matéria do dia 29 de agosto de 2014. No momento em que isso acontecer, o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, o agora lobista Lula, e a presidente Dilma Rousseff dificilmente escaparão da avalanche investigatória. Muitos dos crimes na seara do Petrolão foram cometidos com o explícito consentimento do Palácio do Planalto, pois era preciso abastecer financeiramente os partidos da chamada base aliada, o que ao longo dos anos garantiu apoio parlamentar aos governos do PT.

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot comprometeu-se a enviar ao STF, na segunda quinzena de fevereiro, as denúncias contra os políticos acusados de participação no esquema criminoso que funcionava em algumas diretorias da estatal petrolífera. Pelo menos três partidos políticos serão alvejados de forma implacável – PMDB, PP e PT –, corroendo a pouca credibilidade que resta ao segundo governo de Dilma Rousseff, cada vez mais reclusa nos palácios e sem palpitar nos assuntos de interesse nacional.

Assim como seus assessores mais próximos, Dilma sabe que os desdobramentos da Lava-Jato, dependendo dos rumos das investigações, poderão levar a um processo de impeachment ou à renúncia, não apenas por causa das provas que já foram levantadas e serão carreadas aos inquéritos, mas pelo avanço da falta de governabilidade. Desde que tomou posse no segundo mandato, Dilma tem insistido em um obsequioso silêncio, o que permite imaginar que a situação no Palácio do Planalto é pior do que muitos imaginam. Informações obtidas pelo UCHO.INFO dão conta que o clima na sede do governo federal é de apreensão e temor, resultado das incertezas que rondam a Lava-Jato.

As investigações da Operação Lava-Jato, viabilizada no vácuo das denúncias feitas pelo editor do UCHO.INFO e pelo empresário Hermes Magnus, estavam em andamento quando Dilma Rousseff tentou, de forma atabalhoada, explicar a compra da obsoleta e superfaturada refinaria de Pasadena, no Texas, que causou prejuízo bilionário à Petrobras. Desde então, a ciranda criminosa que varreu os cofres da estatal não mais saiu do noticiário, causando enormes problemas à presidente e ao PT.

Para não ser arrastada para o centro do furacão, Dilma adotou uma estratégia equivocada: transferir a responsabilidade pelos desmandos à gestão do lobista Lula, que nos bastidores do poder é conhecido como “animal político”. Nessa trilha do absurdo, Dilma decidiu poupar a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, ao mesmo tempo em que começou a mirar na direção de José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da estatal (2005-2012), Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró.

Costa está em prisão domiciliar no Rio de Janeiro, enquanto Cerveró está preso na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba. Ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa fez acordo de delação premiada e nos depoimentos acusou algumas dezenas de políticos envolvidos no esquema. Cerveró ainda resiste à ideia da delação premiada, mas é uma questão de tempo. Quando as informações de Costa, Youssef e Cerveró forem cruzadas, a chance de o governo do PT cair é enorme. A avaliação é de pessoas influentes que frequentaram os subterrâneos do Petrolão.

A situação de Dilma e Lula no âmbito da Lava-Jato piorou nos últimos dias, depois que o petista baiano José Sérgio Gabrielli apontou sua verborragia na direção do Palácio do Planalto. Em defesa apresentada ao Tribunal de Contas da União (TCU), Gabrielli solicitou a exclusão do seu nome, e de outros dez ex-integrantes da diretoria executiva da Petrobras, do processo que determinou o bloqueio de bens dos executivos responsáveis pela compra da refinaria de Pasadena.

No documento, José Sérgio Gabrielli pede ao TCU que o Conselho de Administração que autorizou o negócio em 2006 seja responsabilizado pelo prejuízo da compra e tenha o mesmo tratamento dos ex-diretores: que sejam ouvidos e tenham os respectivos patrimônios bloqueados. Isso significa colocar Dilma Rousseff no meio da confusão. Por enquanto a Lava-Jato não alcançou Gabrielli, mas se isso acontecer a situação de Lula e Dilma há de se tornar extremamente grave. O ex-presidente da Petrobras é dono de temperamento forte e não assumirá uma culpa que não é só sua.

No caso de Gabrielli contar apenas parte do que sabe e as autoridades da Lava-Jato confirmarem as informações prestadas por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, a Operação Mãos Limpas, deflagrada na Itália em 1990 na esteira do escândalo do Banco Ambrosiano, será rebaixada à categoria de balão de ensaio. Como detalhou o editor do UCHO.INFO nas denúncias apresentadas ao Ministério Público Federal, no começo de 2009, os tentáculos do esquema criminoso que desaguou na Operação Lava-Jato é muito maior e chegou a outros flancos da máquina estatal.

Confira abaixo os bens que o doleiro Alberto Youssef terá de entregar à Justiça:

– Bens em nome da GFD que estejam administrados pela Web Hotéis Empreendimentos Ltda.

– Propriedade de 74 unidades autônomas integrantes do Condomínio Hotel Aparecida, bem como do empreendimento Web Hotel Aparecida nele instalado, localizado em Aparecida do Norte (SP).

– 37,23% do imóvel em que se situa o empreendimento Web Hotel Salvador.

– Empreendimento Web Hotel Príncipe da Enseada e do respectivo imóvel, localizado em Porto Seguro (BA).

– Seis unidades autônomas componentes do Hotel Bluee Tree Premium, localizado em Londrina (PR).

– 34,88% das ações da empresa Hotel Jahu S.A. e de parcela ideal do imóvel em que o empreendimento encontra-se instalado.

– 50% do terreno formado pelos Lotes 08 e 09, da Quadra F, do Loteamento Granjas Reunidas Ipiranga, situado no município de Lauro de Freitas (BA), com área de 4.800 m², avaliado em R$ 5.300.000,00, bem como do empreendimento que está sendo construído sobre o mesmo, chamado “Dual Medical & Business – Empresarial Odonto Médico”.

– Veículo Volvo XC60, blindado, ano 2011.

– Veículo Mercedes Benz CLS 500, anos 2006.

– Veículo VW Tiguan 2.0 TSI. Blindado, ano 2013/2014.

– Imóvel localizado em Camaçari, com área aproximada de 3000 m², cujo contrato foi incluído no inquérito da Operação Lava-Jato.

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