MPF deve investigar publicidade do Banco do Brasil em quadro de Val Marchiori em programa de TV

val_marchiori_02Pente fino – O Ministério Público Federal será acionado ainda nesta terça-feira, pelo líder do PPS na Câmara dos Deputados, Rubens Bueno (PR), que promete ingressar com representação para que o órgão investigue o contrato de publicidade firmado entre o Banco do Brasil e a Rede TV, entre os anos de 2010 e 2011, que teria beneficiado a socialite paranaense Valdirene Aparecida Marchiori, conhecida como Val Marchiori e amiga do então presidente da instituição financeira, Aldemir Bendine.

De acordo com reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”, o Banco do Brasil, na gestão de Bendine, comprou anúncios na Rede TV! para serem exibidos no horário em que a socialite Val Marchiori tinha um quadro no Programa Amaury Jr.. Conforme o Estadão, a publicidade custou R$ 350 mil ao ano e durou apenas enquanto Marchiori trabalhou no programa, entre 2010 e 2011.

Depois de colocar o cargo à disposição, em outubro de 2014, por conta de empréstimo bisonho concedido à socialite, Adelmir Bendine foi convidado pela presidente Dilma Rousseff para assumir o comando da Petrobras, em substituição a Maria das Graças Foster, que não resistiu aos efeitos colaterais do Petrolão, o maior escândalo de corrupção que se tem notícia em todo o planeta .

Bueno pedirá ao MPF que investigue possível violação ao princípio da impessoalidade que teria sido cometida por Bendine ao patrocinar, com recursos do BB, o programa de entretenimento da socialite. Na representação, o deputado também solicitará que, ao ser constatada a irregularidade no patrocínio, seja pedido pelos procuradores o ressarcimento dos valores pagos pelo Banco do Brasil.

Prestígio

A socialite Val Marchiori já demonstrou ter prestígio junto ao Adelmir Bendine. Em 2013, ela obteve empréstimo de R$ 2,7 milhões do BB, numa operação que é investigada pelo Ministério Público Federal em São Paulo.

Em 2010, o então presidente do Banco do Brasil deu carona a Marchiori em avião de propriedade da instituição financeira em viagem a Buenos Aires, conforme consta em depoimento do ex-vice-presidente da instituição financeira, Allan Toledo, prestado ao Ministério Público Federal.

Desde a primeira notícia sobre sua proximidade com Val Marchiori, o agora presidente da Petrobras negou conhecer a socialite, afirmando apenas que encontrou-a casualmente em alguns eventos.

Empréstimo horizontal

O mais rumoroso escândalo envolvendo Aldemir Bendine caiu na vala do esquecimento, até que a petista Dilma Rousseff escolheu o ex-presidente do BB para comandar a combalida Petrobras. Bendine foi acusado de beneficiar uma “amiga mais do que íntima”, a socialite e apresentadora de televisão Val Marchiori, conhecida por suas absurdas extravagâncias comportamentais e de consumo.

Marchiori conseguiu, em condições “ultra-especiais”, uma linha de crédito subsidiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor de R$ 2,7 milhões, a juro de 4% ao ano, bem abaixo do índice oficial de inflação. A operação teria passado impune se Val Marchiori não tivesse restrições de crédito, além de ter apresentado um comprovante de renda cuja maior receita é a pensão alimentícia paga pelo pai de seus filhos, que recentemente trocou alianças com a socialite.

O financiamento foi realizado em nome da Torke Empreendimentos, mas o dinheiro foi usado para sublocar os caminhões para a empresa do irmão de Val, a Veloz Empreendimentos. Os avalistas, o irmão e a cunhada da apresentadora, também não apresentaram comprovante de renda.

Telhado de vidro

Enquanto negava ser amigo de Val Merchiori, Bendine viu seu ex-motorista do Banco do Brasil, Sebastião Ferreira da Silva, afirmar que buscou várias vezes a socialite a pedido do presidente do então presidente do Banco do Brasil.

Sebastião já fez várias denúncias de irregularidades cometidas por Bendine. Em um dos depoimentos ao Ministério Público, o motorista teria dito que fez vários pagamentos em “dinheiro vivo” a mando de Aldemir Bendine.

“Ferrerinha”, como é conhecido, teria conduzido o presidente do BB com uma sacola com “mações” de R$ 100. O dinheiro seria um empréstimo a Marcos Fernandes Garms, amigo e irmão-camarada do novo presidente da Petrobras.

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