Defender a criação da CPI do Banco Master é a falsa tábua de salvação de Flávio Bolsonaro

No último sábado (9), em evento em que o PL apresentou os candidatos da legenda em Santa Catarina, o senador Flávio Bolsonaro tentou empurrar o escândalo do Banco Master para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o senador usava uma camiseta com os seguintes dizeres: “O Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula”.

Com a divulgação do áudio em que Flávio pede a Daniel Vorcaro mais recursos para dar sequência à produção de um filme sobre o pai golpista e preso, o senador mudou o discurso. O valor pedido inicialmente para produzir o filme biográfico foi de R$ 134 milhões, sendo que o ex-banqueiro pagou, entre fevereiro e maio de 2025, R$ 61 milhões.

Após a gravação vir a público, Flávio Bolsonaro alegou que pediu a Vorcaro patrocínio para o tal filme, sem qualquer tipo de contrapartida. Ninguém, por maior que seja o desapego ao dinheiro, investiria valor tão elevado em um filme cujo enredo é tão questionável quanto pífio.

Diante das circunstâncias e com Vorcaro preso e negociando acordo de delação, a Flavio Bolsonaro restou sair em defesa da criação da CPI do Banco Master. Pode parecer um contrassenso, mas o movimento de Flávio não surpreendeu quem conhece o modo de agir dos políticos em Brasília.

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Ainda pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro sabe que dificilmente sairá ileso desse escândalo, mas ao defender a criação da CPI do Master o senador enviou um recado aos parlamentares: não cairá sozinho. Além disse, Flávio tenta conter os estragos no seu projeto de subir a rampa do Palácio do Planalto.

Caso a citada CPI seja instalada e tenha caminho livre para as necessárias investigações, muitos políticos serão arrastados para o olho do furacão, com direito, inclusive, a detalhes das nada conservadoras festas recheadas de prostitutas internacionais e outros requintes mundanos. Em ano de eleições, essa é uma solução suicida em termos políticos. Resumindo, Flávio aposta em “operação abafa” no terreno da eventual CPI. Mesmo assim, ele cria a narrativa de que por defender a criação da CPI não tem razão para temer.

Se os repasses de recursos feitos pelo mecenas (sic) Daniel Vorcaro, aportados em fundo de investimentos sediado nos Estados Unidos, não foram declarados à Receita Federal, o senador e o ex-banqueiro, além de todos os envolvidos na bisonha operação, responderão por evasão de divisas e lavagem de dinheiro oriundo de fraude bancária, entre outros crimes financeiros.

O ponto desfavorável para o senador no âmbito do escândalo da vez é que Vorcaro, se quiser deixar a prisão o quanto antes, terá de fazer uma delação consistente, revelando aos investigadores fatos passiveis de comprovação. Para Vorcaro só interessa a liberdade, para Flávio o melhor é que o ex-banqueiro continue preso.