União Europeia está em contagem regressiva para o calote e a falência da Grécia

alexis_tsipras_08Cronômetro acionado – A crise da Grécia piora a cada instante, mas o primeiro-ministro Alexis Tsipras insiste em manter sua posição irredutível de apostar contra os organismos internacionais de crédito que aportaram recursos para salvar o país. O recado mais sério e duro na direção do governo de Atenas partiu do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi: o fato de a situação grega ser dramática não significa que os outros sejam responsáveis por ela. Ele destaca que o apoio à liquidez dos bancos gregos já chega a 118 bilhões de euros, o que corresponde a 66% do PIB da Grécia.

O BCE continua considerando os bancos gregos solventes e as garantias suficientes para continuar injetando dinheiro neles. Entretanto, a situação evolui continuamente e é preciso observar a saúde do sistema financeiro grego. Um sinal de que, caso haja um calote estatal no fim do mês, quando Atenas terá de pagar parcela de 1,6 bilhão de euros, a situação pode mudar drástica e radicalmente.

“Precisamos de um acordo robusto e abrangente com a Grécia”, enfatiza Draghi. Se o presidente do BCE decidir fechar a torneira do resgate financeiro, é o fim da linha para a Grécia.

Também o presidente francês, François Hollande, adverte: é preciso voltar rapidamente à mesa de negociações, porque o prazo para a Grécia agora é extremamente curto.

O tom em Berlim foi parecido. Só o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, parece ter todo o tempo do mundo. A um jornal local, Tsipras disse que está esperando pacientemente até que “as instituições assumam uma postura mais realista”. Na verdade, quem está fora realidade é o próprio primeiro-ministro grego, que tenta cumprir as promessas de campanha, ciente de que são impossíveis diante do impasse.

Acerto de contas

Em Bruxelas, a Comissão Europeia considera a posição dos credores já bastante realista: as partes já teriam avançado bastante, por exemplo, na questão do superávit primário – resultado positivo nas contas do governo após o pagamento dos juros da dívida.

Nesse quesito, a porta-voz Annika Breidthardt disse sobre o único avanço nas discussões com a Grécia até agora: o governo grego aceitou a meta de superávit primário de 1% para este ano. Ainda não se sabe, entretanto, como os gregos vão atingir esse objetivo.

Na briga com a Grécia, a Comissão Europeia parte para a defensiva. Segundo a porta-voz, estão circulando muitos relatos falsos sobre o que os credores de fato exigem da Grécia. Breidthardt afirma que não é verdade que cortes nos salários e na aposentadoria são algumas das exigências.

Em vez disso, o foco são reformas estruturais no sistema de aposentadorias, como a abolição da aposentadoria antecipada. As aposentadorias são a parte mais custosa dos gastos estatais e, por isso, têm de ser mais sustentáveis, diz Breidthardt. O mesmo valeria para reformas salariais nos serviços públicos, assim como para a reforma do imposto sobre valor agregado.

Contra o relógio

No último domingo (14), as negociações entre Grécia e Comissão Europeia, que se realizavam desde sábado em Bruxelas, terminaram sem acordo. Segundo a Comissão Europeia, há “divergências significativas” entre os dois lados e “as propostas gregas continuam incompletas”.

Na segunda-feira, Tsipras afirmou que o governo em Atenas está pronto para “esperar pacientemente” até que os credores se tornem “realistas” nas suas exigências de reformas em troca da liberação da última parcela, de 7,2 bilhões de euros, do atual programa de resgate.

Tecnicamente, um acordo até o próximo encontro dos ministros das Finanças da zona do euro, na quinta-feira, é praticamente impossível. Tendo em vista os sinais vindos de Atenas, o governo grego não quer o acordo. É o que indica a mais recente entrevista do ministro das Finanças grego, Yannis Varoufakis, ao jornal alemão “Bild”. Ele pede uma espécie de oferta de resgate extraordinária feita pessoalmente pela chanceler alemã Angela Merkel.

Aparentemente, os gregos querem conseguir mais concessões dos credores negociando diretamente com chefes de Estado e de governo. Um encontro do tipo poderia acontecer no próximo fim de semana, em forma de uma cúpula extraordinária dos países da zona do euro em Bruxelas. Antes do fim deste mês, os parlamentos de vários países-membros, entre eles o alemão, precisam chegar a um acordo sobre uma nova extensão do programa de ajuda à Grécia.

Tal programa expira em 30 de junho. Caso até esta data haja acordo entre Atenas e os credores, poderiam ser liberados os 7,2 bilhões de euros pendentes do resgate à Grécia, cujo pagamento é alvo de discórdia. No mesmo dia, a Grécia tem que pagar 1,6 bilhão de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Caso Atenas não possa ou não queira pagar a dívida, a falência estatal ficará ainda mais próxima. (Com Deutsche Welle)

apoio_04