PT se reúne com presidente da legenda para decidir sobre afastamento de Eduardo Cunha

eduardo_cunha_06Conversa fiada – Nesta segunda-feira (24), a bancada do PT na Câmara dos Deputados, a segunda maior da Casa, reúne-se com Rui Falcão, presidente nacional do partido, para decidir sobre eventual apoio a um pedido de afastamento do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O peemedebista foi denunciado, na última semana, por corrupção e lavagem de dinheiro, crimes investigados na Operação Lava-Jato.

Os deputados petistas estão sendo pressionados por integrantes do governo, do PT e até pelo ex-presidente Luiz Inácio da Silva, que defende “cautela” por parte da bancada para evitar que o partido tenha papel de protagonista em ações contra Eduardo Cunha.

A posição dos deputados petistas é considerada decisiva para fortalecer o incipiente movimento que deseja a saída de Cunha do cargo. No dia da denúncia, como noticiou o UCHO.INFO, parlamentares do PSOL, PSB, PT, PPS, PDT, PMDB, PR, PSC, PROS e PTB divulgaram manifesto contra o peemedebista por considerar “insustentável” a permanência dele no cargo.

Segundo Falcão, embora considere o fato “gravíssimo”, o partido pretende esperar uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) – se aceita a denúncia transformando Cunha em réu -, para exigir o afastamento do presidente da Câmara. “Não vou prejulgar”, revelou.

Eduardo Cunha se irritou com a simples discussão dentro do PT e ligou para o vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, para reclamar da postura dos petistas, que chamou de inaceitável e cobrou providências. “Se o PT quer partidarizar, vamos partidarizar também”, afirmou um aliado do presidente da Câmara.

Petistas temem que, em retaliação a uma decisão mais agressiva da bancada, o peemedebista aumente a pressão sobre o governo, com quem rompeu em julho. A posição majoritária dos deputados do PT é esperar uma posição do STF, ao mesmo tempo em que aproveitam para expor o que chamam de seletividade da oposição: não pedem o afastamento de Cunha, denunciado, mas querem o impeachment de Dilma, contra quem não há qualquer processo, por enquanto.

Um dos vice-líderes do PT, Afonso Florence (BA), considera que não há maioria na bancada favorável ao afastamento de Cunha. Entretanto, reconhece que a situação do presidente da Câmara está se degradando “muito rapidamente”. “Se não quero golpe contra a presidente, não vamos fazer o mesmo com ele”, ressaltou.

Para outro vice-líder, o deputado federal Henrique Fontana (PT-RS), a consistência da denúncia contra Cunha mostra que ele não tem condições de continuar na presidência da Câmara. “Vou atuar com o objetivo que ele se afaste”, adiantou.

Já o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) disse que, embora considere Cunha um opositor declarado que ataca permanentemente o PT, defenderá a posição de aguardar a manifestação do STF. “Ele [Cunha] foi legitimamente eleito pelo povo [para a Câmara] e pelos deputados [para a presidência da Casa]”, finalizou.

Ao PT interessa saber, caso Cunha seja mesmo afastado, quem ficará em seu lugar. Os petistas não têm um nome de peso e de consenso para substituir o peemedebista na presidência da Câmara, correndo o sério risco de ver um oposicionista ferrenho assumir o lugar de Eduardo Cunha.

De acordo com o Regimento Interno da Câmara dos Deputados, um afastamento temporário não configura vacância do cargo, ou seja, assume o comando da Casa o 1º vice-presidente, Waldir Maranhão Cardoso (PP-MA).

Por outro lado, não se pode condenar antecipadamente Eduardo Cunha, que até o momento foi investigado e denunciado, cabendo ao Supremo decidir se concorda com a denúncia oferecida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Por enquanto, Cunha goza da prerrogativa constitucional da presunção da inocência, o que faz com que todas as possibilidades aventadas sejam meras especulações. (Danielle Cabral Távora)

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