Lava-Jato: PF decide intimar sócios de Lulinha para esclarecer se sítio em Atibaia é fruto de propina

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O enredo rocambolesco sobre o sítio Santa Bárbara, em Atibaia, no interior paulista, continua gerando forte desconfiança entre os integrantes da for-tarefa da Operação Lava-Jato. Por conta disso, os investigadores decidiram intimar, nesta segunda-feira (8), os empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna Filho para esclarecer detalhes estranhos acerca do imóvel. Bittar e Suassuna são sócios de um dos filhos do ex-presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O petista, a ex-primeira-dama e Lulinha também podem ser intimados a depor.

Enquanto Lula nega ser dono do sítio, Fernando Bittar afirma que comprou o imóvel com dinheiro doado por seu pai, Jacó Bittar, amigo de longa data do ex-metalúrgico. Essa desculpa surgiu depois da divulgação de um laudo da Polícia Federal que aponta a falta de condições financeiras de Bittar para a aquisição do bem. Além disso, o sítio passou por uma cara reforma, que em termos financeiros não cabe na declaração de renda do empresário.

Os investigadores da Lava-Jato querem confirmar se o sítio é fruto de pagamento de propina decorrente de contratos entre a Petrobras e as empreiteiras Odebrecht e OAS. Isso significa que há possibilidade de o imóvel ter sido registrado em nome de terceiros como forma de ocultação de patrimônio.


No Brasil é costume adquirir um imóvel pelo valor venal, não pelo valor de mercado, sendo que o pagamento da diferença dá-se no famoso caixa 2, o que pode fazer com que Bittar e Suassuna consigam provar capacidade financeira para tanto. A grande questão que ainda causa dúvida é a não convocação do antigo dono do imóvel, que certamente esclareceria de uma vez esse enigma da Lava-Jato.

Por outro lado, se Fernando Bittar precisou do dinheiro do pai para comprar o tal sítio, causa estranheza o fato de a reforma no imóvel ter sido executada por duas das maiores empreiteiras do País e investigadas na Lava-Jato. Fora isso, documentos sobre a reforma foram encontrados no apartamento de Lula, em São Bernardo do Campo. Como se não bastasse, a participação do casal na definição de detalhes da reforma e na escolha de móveis da cozinha mostra que há algo estranho nesse imbróglio.

Ademais, a PF descobriu mensagem trocada entre o presidente da OAS e um funcionário da empreiteira para tratar da reforma do sítio e do também polêmico apartamento triplex em Guarujá, no litoral paulista. Em outro ponto das interceptações telefônicas há uma conversa entre Bittar e uma das noras de Lula que não deixam dúvidas a respeito do verdadeiro dono do sítio.

A defesa do ex-presidente não pode esquecer que a essa altura dos acontecimentos o pecuarista José Carlos Bumlai, em depoimento de delação premiada, já falou u que sabe sobre o sítio em Atibaia. Lula e seus advogados têm mantido a muito custo a mentira sobre a propriedade de ambos os imóveis, mas no momento em que Fernando Bittar e Jonas Suassuna Filho sentirem a possibilidade de prisão, a verdade por certo virá tona.

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