Apoio do controverso “Centrão” ainda não está oficializado, mas já rende problemas a Geraldo Alckmin

O apoio do chamado “Centrão” ao ex-governador Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência da República, está apalavrado, mas ainda não se pode afirmar que é garantido, pois na política tudo é passível de mudança.

É necessário reconhecer que o tal apoio reforça a capacidade de articulação de Alckmin nos bastidores da política nacional, mas a aliança ainda pode trazer problemas ao tucano no decorrer da campanha. Além de o bloco político conter políticos polêmicos e envolvidos em escândalos de corrupção, alguns líderes partidários apresentaram a fatura com muita antecedência.

Entre as muitas reivindicações, a principal delas, defendida pelo Partido da República, legenda cujo “dono” é o enrolado Valdemar Costa Neto, é a indicação do empresário Josué Gomes da Silva para a vaga de vice na chapa encabeçada pelo tucano.

A sugestão, com viés de exigência, agradou sobremaneira Geraldo Alckmin, uma vez que Josué, dono do grupo Coteminas, pode ser o elo com boa parte do empresário nacional. Por outro lado, a chegada de Josué Gomes da Silva à chapa de Alckmin gerou incômodo entre os tucanos mineiros, uma vez que o empresário é próximo do governador de Minas Gerais, o petista Fernando Pimentel. Essa proximidade pode causar problemas à campanha do PSDB em um dos principais colégios eleitorais do País.


Filho do ex-vice-presidente José Alencar, o vice de Alckmin tem muito a agregar, apesar da resistência do tucanato mineiro. Mesmo assim, Geraldo Alckmin terá muito trabalho para conter a quase rebelião que surgiu em Minas Gerais.

Por outro lado, Alckmin poderá cair em desgraça junto ao eleitorado caso ceda à pressão dos sindicatos para encontrar uma solução para financiar as entidades que supostamente deveriam representar a classe trabalhadora e defender seus interesses, mas que nos últimos anos anuíram o banditismo político liderado pelo PT.

O fim do imposto sindical obrigatório foi alcançado na reforma trabalhista, sendo recentemente considerado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ou seja, caso acene com a possibilidade de encontrar uma tábua de salvação para os sindicatos, que após a reforma trabalhista viram os recursos minguarem em até 90%, Alckmin terá sérios problemas com os eleitores de todo o País.

O ex-governador de São Paulo, na condição de presidenciável, não pode se submeter à chantagem esdrúxula e criminosa do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, cujo partido, o Solidariedade, integra o chamado “Centrão”, apenas porque os sindicatos, braços auxiliares da esquerda bandoleira, estão à mingua. Paulinho tem ameaçado retomar as negociações com Ciro Gomes, candidato do PDT ao Palácio do Planalto.