Para tentar conter o avanço do coronavírus, governo da Itália declara quarentena em todo o país

Em um esforço para conter a epidemia do novo coronavírus na Itália, o governo de Roma anunciou uma série de medidas draconianas que incluem restrição ao deslocamento de pessoas em todo o território do país europeu.

Todas as aglomerações públicas foram proibidas e o governo do primeiro-ministro Giuseppe Conte também pediu para que os italianos tentem permanecer em casa. As pessoas só poderão viajar para região diferente da de residência em casos de trabalho ou emergência. Para poder se deslocar de uma cidade a outra, os italianos terão de apresentar formulário que já está disponível na internet.

A Itália ainda suspendeu competições esportivas, inclusive jogos do campeonato de futebol, e determinou que todas as escolas e universidades do país fiquem fechadas até pelo menos 3 de abril.

As medidas atingem ainda cinemas, teatros, museus, casas noturnas e até mesmo eventos como casamentos e funerais. Bares e restaurantes em toda a Itália terão que fechar após as 18 horas. O transporte público deve permanecer em operação. O decreto também prevê que as pessoas fiquem a pelo menos um metro de distância das outras em mercados e restaurantes.

As medidas anunciadas estendem a todo o território nacional um decreto editado no domingo, com restrições similares ao norte do país – incluindo a região da Lombardia e mais 14 províncias. A quarentena nacional entrará em vigor na terça-feira (10), segundo o governo do primeiro-ministro Giuseppe Conte.

 
Antes da Itália, apenas a China havia colocado em prática um plano tão ambicioso para conter o vírus, impondo em janeiro uma quarentena na província chinesa em Hubei, onde fica a cidade de Wuhan, considerada o epicentro do surto da Covid-19. Já a medida tomada hoje pela Itália vai além de qualquer medida executada pelos chineses, colocando efetivamente todo um país em quarentena.

A Itália é o país europeu mais atingido pela epidemia deda Covid-19 e a segunda nação a registrar mais mortes depois da China, onde a doença se originou. Nesta segunda-feira à noite, o último balanço divulgado pelo governo italiano apontava que pelo menos 9 mil pessoas contraíram a doença. O número de mortes já totaliza 463 – 97 foram registradas apenas nesta segunda-feira. “Estamos tendo um crescimento importante na infecção e nas mortes”, disse o premiê Conte.

“Todos devemos desistir de algo pelo bem da Itália. Temos que fazer isso agora, e só poderemos se colaborarmos e nos adaptarmos a essas medidas mais rigorosas. Foi por isso que decidi adotar medidas ainda mais fortes e severas para conter o avanço e proteger a saúde de todos os cidadãos”, completou o chefe do governo italiano, em anúncio transmitido em rede nacional nesta noite. “Fiquem em casa”, disse o primeiro-ministro.

Na noite do último sábado (7), o anúncio da imposição de uma quarentena no norte do país já havia provocado casos no país. Informações sobre o plano vazaram um dia antes do anúncio oficial, levando milhares de pessoas a deixar a região antes da imposição de controles. No domingo, a região Norte ainda estava recebendo voos de outros locais da Europa e os trens ainda partiam normalmente.

Outras medidas geraram reações violentas. Pelo menos seis detentos morreram em cadeias italianas após o anúncio da quarentena do norte. Prisioneiros protestaram em pelo menos 23 prisões em todo o país após serem informados de que as visitas estavam suspensas como parte do esforço para conter a doença. Em alguns casos, os presos chegaram a manter guardas como reféns.

Na prisão de San Vittore, em Milão, detentos atearam fogo em um bloco de celas e depois subiram no telhado. Em um presídio da cidade de Foggia, no sul, cerca de 20 detentos conseguiram fugir durante o motim. A maior parte foi rapidamente recapturada. (Com agências internacionais)