Morre em São Paulo, aos 63 anos, o jornalista e escritor Gilberto Dimenstein

 
O jornalista e escritor Gilberto Dimenstein morreu nesta sexta-feira (29) em São Paulo, aos 63 anos, vítima de um câncer no pâncreas, com metástase no fígado, contra o qual lutava desde 2019. Fundador do site Catraca Livre, Dimenstein passou pelos jornais “Folha de S.Paulo”, “Jornal do Brasil”, “Correio Braziliense”, “Última Hora” e pela revista “Veja” e rádio “CBN”.

Formado em jornalismo pela faculdade Cásper Líbero, o jornalista é autor dos livros “Meninas da Noite”, sobre a prostituição infantil na Amazõnia, e “Cidadão de Papel”, que trata dos direitos da criança e adolescente no Brasil. Ele venceu por duas vezes o Prêmio Esso de jornalismo, em 1988 e 1989, e uma vez o Prêmio Jabuti de Literatura, em 1993, com “O Cidadão de Papel”.

Também é autor de “A República dos Padrinhos: Chantagem e Corrupção em Brasília” (1988), “As Armadilhas do Poder – Bastidores da Imprensa” (1990), “A Guerra dos Meninos – Assassinatos de Menores no Brasil” (1995), “Democracia em Pedaços” (1996), “Quebra-Cabeça Brasil – Temas de Cidadania na História do Brasil” (2003) e “Aprendiz do Futuro – Cidadania Hoje e Amanhã” (2005), “O Mistério das Bolas de Gude” (2006) e “Fomos Maus Alunos” (2009) .

Após o diagnóstico da doença, no ano passado, Dimenstein fez emocionante relato sobre aquele momento em depoimento à Folha. “A clareza maior da morte é uma dádiva. Não é o fim, mas um começo”, afirmou o jornalista. “Câncer é algo que não desejo para ninguém, mas desejo para todos a profundidade que você ganha ao se deparar com o limite da vida”, completou.

Em abril, em vídeo postado numa rede social em abril, disse que vivia o momento mais difícil de sua vida. “Meu nome é Gilberto Dimenstein, sou fundador do Catraca Livre, sou presidente do Conselho da Orquestra Sinfônica Heliópolis, e vivo o momento mais difícil da minha vida. Estou há oito meses lutando contra um câncer de pâncreas que criou metástase. Estou lutando, ainda vou vencer, mas estou lutando”.

Nas redes sociais, jornalistas e políticos lamentaram a morte de Gilberto Dimenstein. “Uma perda imensa para o jornalismo brasileiro. Um homem íntegro, inspiração para minha geração, que lutou até o fim contra uma doença cruel”, escreveu a jornalista Vera Magalhães.

 
O governador de São Paulo, João Dória Júnior (PSDB), classificou Dimenstein como “um dos principais expoentes do jornalismo brasileiro”. “O jornalismo e a sociedade perdem um olhar humanista e solidário”, afirmou Dória.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), destacou em nota o trabalho do jornalista em defesa da capital. “Nos diferentes veículos de comunicação onde passou, em especial na Folha de S.Paulo onde trabalhou por 28 anos, ele defendeu a liberdade de imprensa, as minorias, os mais vulneráveis e, especialmente, a cidade de São Paulo ao criar o Catraca Livre, com seu jornalismo dedicado”, diz o texto.

Ex-governador do Espírito Santo, Paulo Hartung lembrou que Dimenstein recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos. “Hoje o Jornalismo do País perde um grande nome: o escritor e jornalista Gilberto Dimenstein. Sensível às causas sociais, Dimenstein recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos. Deixo aqui minha solidariedade aos amigos e à família deste brilhante profissional”, escreveu Hartung.

A jornalista Miriam Leitão lamentou a morte de Dimenstein. “Ele revolucionou a forma de fazer o nosso ofício. Fez sucesso muito jovem, sempre foi um inteligente analista da vida nacional. Depois foi abrir novas fronteiras como o Catraca Livre. Saudades imensas de Gilberto Dimenstein”, escreveu a jornalista.

O ex-ministro e ex-deputado federal Ciro Gomes disse que a morte de Dimenstein representa uma perda para o Brasil e para o bom jornalismo. “Uma perda para o Brasil e para o bom jornalismo, realizado de forma independente e corajosa. Meus sentimentos para família e amigos.”

O ex-ministro Aloizio Mercadante (PT), que foi cunhado do jornalista, mencionou a dedicação de Dimenstein à “construção de uma sociedade mais justa”. “Era um exemplo de pai e avô, dedicado, presente e carinhoso. Neste momento de profunda dor, fica minha solidariedade para toda nossa família”, afirmou Mercadante.