Covid-19: Pazuello diz que Saúde trabalha para divulgar “100% dos dados”, mas mudará registro de óbitos

 
Após o presidente Jair Bolsonaro determinar que o Brasil não poderia ter mais de 1 mil mortos diários por Covid-19, pelo menos em relação aos dados divulgados pelo governo, servidores do Ministério da Saúde passaram a trabalhar para encontrar uma forma de enganar a opinião pública e fazer a vontade de um governante com inequívoca essência autoritarista.

Depois de endossar uma trapalhada que começou no meio da última semana, com atrasos na divulgação dos dados sobre a Covid-19 e a mudança inexplicável na forma de informar os números do novo coronavírus no País, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse nesta terça-feira (9), durante reunião no Palácio do Planalto, que sua equipe trabalha para divulgar 100% dos dados referentes à doença. Segundo Pazuello, a pasta divulgará dados sobre a mortos e infectados pelo novo coronavírus, mas ressaltou que mudará o registro de óbitos pela doença.

“Estamos trabalhando para divulgar 100% dos dados, e com a modelagem regional, estadual, cidade, capital, região metropolitana e interior. Se quiser ver o dado Brasil como um todo é só clicar Brasil, mas tem que compreender que alguns estados e municípios, podem não estar ali. É mais importante observar a ferramenta para os gestores, que são prefeitos e governadores”, afirmou o ministro.

Pazuello afirmou que o governo propõe alterar a forma de contabilização das mortes. A proposta do ministro é registrar o óbito na data da morte do doente, não no dia em que ocorre a notificação da morte.

 
“Hoje, os óbitos chegam pelos registros de óbitos e vão continuar chegando. Só quando chega a gente olha no registro de óbitos, você tem também a data do óbito e não apenas do registro. Não tem nada a ver com mudança de número de óbitos, eles estão registrados”, disse o titular da Saúde.

“Quando você bota no cálculo diário, você vê que ele é acumulado dos dias de registro. O que nós estamos propondo, coloco como proposta, é que a gente use os mesmos números, quantitativos, mas nos dias do óbito. Com isso, você vai ver exatamente o que aconteceu com mais transparência”, explicou Pazuello.

O ministro da Saúde, que por conta da sua subserviência a Bolsonaro aceita ir na contramão do que têm feitos autoridades de todo o planeta, deveria defender o aumento da testagem para o novo coronavírus do País e disponibilizar à população dados reais sobre a doença. Ao contrário, Pazuello busca omitir informações acerca do estrago que o vírus SARS-CoV-2 vem fazendo no País. Considerando que a subnotificação no Brasil é escândalos, o número de mortos pela Covid-19 é sete vezes maior do que o anunciado, sendo o que o contingente de mortos, sendo otimista, é o dobro.

Como Bolsonaro foi denunciado ao Tribunal Penal Internacional de Haia (Holanda) por crime contra a humanidade, em razão de sua irresponsabilidade genocida diante da pandemia do novo coronavírus, a saída encontrada pelo Palácio do Planalto foi maquiar os números, na esperança de atenuar a situação.