Bolsonaro ignora a tragédia da Covid-19 ao dizer “está chegando a 100 mil, vamos tocar a vida”

 
Ultrapassa as fronteiras do aceitável os discursos irresponsáveis do presidente Jair Bolsonaro, sempre marcados pela fanfarronice populista e desconectados da realidade dos fatos. Nesta quinta-feira (6), durante cerimônia no Palácio do Planalto, Bolsonaro afirmou que fez “o possível e o impossível” para salvar vidas em meio à pandemia do novo coronavírus. Como mencionamos em matéria anterior, tal declaração foi emoldurada pela torpeza e pelo deboche, pois se há alguém no País que nada fez para evitar mortes na seara da Covid-19, esse certamente é Bolsonaro.

Mais tarde, já à noite, em sua semanal e enfadonha transmissão pela internet, o presidente da República não se fez de rogado e voltou a minimizar as quase 100 mil mortes que o País está prestes a registrar em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

Ao lado do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o militar especialista em logística que não sabe como enfrentar a crise de Covid-19 porque apenas cumpre ordens palacianas, o presidente disse que é preciso “tocar a vida”, como se nada representasse a dor das famílias que perderam entes queridos para a doença.

“A gente lamenta todas as mortes, está chegando a 100 mil, vamos tocar a vida e buscar uma maneira de se safar desse problema”, disse o sempre debochado Bolsonaro, em transmissão por rede social, dando a entender que sua opinião muda ao sabor do vento.

Que Jair Bolsonaro, no campo da pandemia, é movido por irresponsabilidade genocida todos sabem, mas avança sobre o terreno do acinte o desrespeito à memória dos mortos pela Covid-19. Contudo, é ainda pior a afirmação “buscar uma maneira de se safar desse problema”.

Quando o UCHO.INFO afirmou, em fevereiro passado, que as 800 mortes pela Covid-19 registradas no País naquele momento representavam quatro acidentes aéreos como o ocorrido no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no dia 17 de julho de 2007, a turba bolsonarista se rebelou a partiu para ataques e ofensas. Hoje, com as mortes pelo novo coronavírus se aproximando de 100 mil, é possível afirmar que estamos diante de 50 acidentes aéreos semelhantes ao ocorrido no aeródromo paulistano ou, então, que temos dois “Maracanãs” repletos de cadáveres. Mesmo assim, a patuleia que apoia Bolsonaro permanece em silêncio.

 
É de conhecimento público que o governo nada fez de concreto para combater a Covid-19, apesar das tentativas dos agora ex-ministros da Saúde Henrique Mandetta e Nelson Teich, que deixaram a pasta por discordar das sandices do presidente da República, que desde o início da pandemia recorreu à ironia para tratar do assunto, sem contar o devaneio permanente de seus amestrados apoiadores.

Na transmissão, Bolsonaro voltou a defender o uso da hidroxicloroquina, assim como questionou o número de mortes ocorridas no País, sugerindo que muitos óbitos são creditados à Covid-19, como se essa prática criminosa rendesse algo aos seus artífices.

“A pessoa está em situação complicada, vem a falecer e o pessoal ‘mete’ Covid. Não é uma regra isso, mas é em alguns casos, o médico poupa uma autópsia. Alguns casos têm chegado ao conhecimento da gente. Não vou dizer que são fontes confiáveis, mas vou dizer que chega ao conhecimento”, disse Bolsonaro. “Alguns governadores, não sei com qual interesse, encaminham nesse sentido.”

Ora, se o próprio presidente alega que as fontes não são confiáveis, é inaceitável que um chefe de Estado faça uso de informações mentirosas e descabidas para, em meio à pandemia, tirar eventual proveito político.

Bolsonaro confirmou ser adepto da delinquência intelectual a partir do momento em que começou a politizar a pandemia, cujos efeitos só não foram piores porque governadores e prefeitos, na medida do possível, tomaram providências.

Em qualquer país com doses rasas de responsabilidade e seriedade e autoridades minimamente corajosas, o presidente da República já estaria enfrentando processo de impeachment por crime de responsabilidade. Como no Brasil a política jaz no balcão do escambo, sob o olhar frio dos interesses escusos, Jair Bolsonaro continua fazendo do Palácio do Planalto um picadeiro particular.

Se você chegou até aqui é porque tem interesse em jornalismo profissional, responsável e independente. Assim é o jornalismo do UCHO.INFO, que nos últimos 20 anos teve participação importante em momentos decisivos do País. Não temos preferência política ou partidária, apenas um compromisso inviolável com a ética e a verdade dos fatos. Nossas análises políticas, que compõem as matérias jornalísticas, são balizadas e certeiras. Isso é fruto da experiência de décadas do nosso editor em jornalismo político e investigativo. Além disso, nosso time de articulistas é de primeiríssima qualidade. Para seguir adiante e continuar defendendo a democracia, os direitos do cidadão e ajudando o Brasil a mudar, o UCHO.INFO precisa da sua contribuição mensal. Desse modo conseguiremos manter a independência e melhorar cada vez mais a qualidade de um jornalismo que conquistou a confiança e o respeito de muitos. Clique e contribua agora através do PayPal. É rápido e seguro! Nós, do UCHO.INFO, agradecemos por seu apoio.