
Encurralado politicamente por causa da desastrosa atuação do governo no enfrentamento da pandemia e pela escassez de vacinas contra Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro voltou a acionar nesta quarta-feira (5) sua matraca totalitarista, ameaçando a democracia, o Estado de Direito, os Poderes constituídos e adversários políticos e ideológicos. Além disso, o presidente voltou a atacar a China, principal parceiro comercial do Brasil e único fornecedor de ingrediente farmacêutico ativo para a produção de imunizantes.
Durante evento no Palácio do Planalto, Bolsonaro exaltou os atos realizados no último dia 1º de maio em algumas cidades brasileiras a favor dele próprio e do governo. O presidente comparou a lealdade do povo brasileiro à das Forças Armadas, como se toda a população apoiasse um governo inepto e descontrolado. As pesquisas de opinião têm mostrado que a aprovação do governo e do presidente da República vem derretendo.
“Os militares, quando se tornam praça, juram dar a vida pela pátria. Os que tiveram nas ruas nesse 1º de maio, bem como outros milhões que não puderam ir às ruas, darão sua vida por liberdade”, disse o presidente.
Bolsonaro, como qualquer cidadão, tem garantido o direito à livre manifestação do pensamento, mesmo que seja para vociferar sandices, mas na condição de chefe de Estado não pode mentir de forma escancarada. As manifestações citadas pelo presidente em seu discurso escondem detalhe importante e que muitos brasileiros desconhecem. Vários dos manifestantes que engrossaram os protestos foram aliciados mediante pagamento em dinheiro, transporte gratuito e alimentação.

Em mensagens pelo WhatsApp, enviadas a esmo para qualquer pessoa, possivelmente por empresas especializadas em disparos em massa, a milícia bolsonarista ofereceu R$ 150, transferidos para conta bancária por meio do PIX, além de alimentação, como prova o “print” de tela abaixo, obtido pelo UCHO.INFO. Na mensagem, o miliciano digital afirma que o objetivo do protesto é “dar um basta no comunismo” e “acabar com os desmandos do STF”. O nome da nossa fonte e seus dados telefônicos foram omitidos na matéria por questão de segurança.

No início da polarização político-ideológica que devastou o País e continua a ameaçar a democracia, a turba bolsonarista acusava opositores do governo de se venderem a partidos de esquerda para participar de manifestações de rua. O alvo da súcia que apoia o aprendiz de tiranete classificava os críticos do governo como “mortadelas”, em referência ao alimento que supostamente era fornecido aos que participavam de protestos.
Quando o UCHO.INFO afirmava que Jair Bolsonaro, representante do chamado “baixo clero” do Parlamento brasileiro, era “mais do mesmo” e que em algum momento daria um “cavalo de pau” na democracia, seus apoiadores reagiam com truculência, como se ameaças nos fizessem recuar.
A tentativa do bolsonarismo de cooptar “manifestantes” à base de dinheiro mostra de forma inequívoca que o governo acabou, restando apenas definir a data do “sepultamento”. Bolsonaro, que vive como esquizofrênico político, fala insistentemente em aprovação da população, mas não se digna a reconhecer que a parcela da sociedade que ainda o apoia está definhando, o que compromete cada vez mais um desgastado projeto de reeleição.
Por razões óbvias o Palácio do Planalto alegará que desconhece a tentativa espúria de cooptar manifestantes, mas na estrutura do bolsonarismo nenhuma ação é levada adiante sem ordens superiores e o aval do gabinete do ódio. Resta saber a origem do dinheiro usado nessas operações.

Se você chegou até aqui é porque tem interesse em jornalismo profissional, responsável e independente. Assim é o jornalismo do UCHO.INFO, que nos últimos 20 anos teve participação importante em momentos decisivos do País. Não temos preferência política ou partidária, apenas um compromisso inviolável com a ética e a verdade dos fatos. Nossas análises políticas, que compõem as matérias jornalísticas, são balizadas e certeiras. Isso é fruto da experiência de décadas do nosso editor em jornalismo político e investigativo. Além disso, nosso time de articulistas é de primeiríssima qualidade. Para seguir adiante e continuar defendendo a democracia, os direitos do cidadão e ajudando o Brasil a mudar, o UCHO.INFO precisa da sua contribuição mensal. Desse modo conseguiremos manter a independência e melhorar cada vez mais a qualidade de um jornalismo que conquistou a confiança e o respeito de muitos. Clique e contribua agora através do PayPal. É rápido e seguro! Nós, do UCHO.INFO, agradecemos por seu apoio.



