Após denúncia de sobrepreço de R$ 732 milhões, governo reduz valor de pregão de ônibus escolares

 
Durante a campanha presidencial de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro afirmou que, se eleito, combateria a corrupção e decretaria o fim do “toma lá, dá cá”. No mesmo ano, o general da reserva Augusto Heleno, hoje ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI) e ferrenho defensor do golpismo, cantarolou em evento de pré-campanha “se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão”.

Entre o que Bolsonaro e Heleno disseram e a realidade vivida pelo governo atualmente há um abismo considerável. Isso porque a corrupção está a correr solta na Esplanada dos Ministérios e o Centrão foi cooptado a peso de outo para garantir ao presidente a permanência no cargo.

Depois dos escândalos envolvendo a compra de vacinas contra Covid-19 e o gabinete paralelo integrado por dois pastores que cobravam propina de prefeitos interessados em verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), agora o banditismo político aportou na compra de ônibus escolares.

À sombra de criminoso superfaturamento, o governo Bolsonaro pretendia adquirir 3.850 ônibus escolares rurais pelo valor de R$ 2,045 bilhões. O pregão, marcado para acontecer nesta terça-feira (5), acabou suspenso pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por causa de um sobrepreço de R$ 732 milhões.

Na linha de tiro, o FNDE reduziu o valor o valor máximo do pregão eletrônico para R$ 1,5 bilhão, na tentativa de salvar a compra dos veículos. Os alertas de sobrepreço foram feitos por técnicos do próprio FNDE e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

O ministro Walton Alencar Rodrigues, do TCU, deve determinar o embargo do resultado da concorrência até a análise do processo de compra dos ônibus escolares. A área técnica do Tribunal entende ser necessário obter mais informações do FNDE.

 
Coincidência ou não, o diretor do FNDE, Garigham Amarante Pinto, foi indicado ao cargo pelo mensaleiro Valdemar Costa Neto, o “Boy”, presidente nacional do Partido Liberal (PL), legenda à qual o clã Bolsonaro se filiou, levando de carona outros conhecidos críticos da corrupção.

Também na seara da coincidência, o presidente do FNDE é Marcelo Ponte, que antes de ser nomeado em 2020 para o cargo era chefe de gabinete no Senado do atual ministro Ciro Nogueira (Casa Civil).

Aliás, Ciro Nogueira, ignorando os alertas do TCU, do MPF e dos técnicos do FNDE, decidiu privilegiar aliados políticos Brasil afora com os tais ônibus superfaturados. O chefe da Casa Civil se reuniu com Marcelo Ponte, no Palácio do Planalto, duas vezes antes da liberação do pregão, enquanto o procedimento esteve suspenso diante da evidência de sobrepreço.

No contraponto, Valdemar Costa Neto, que não tem mandato parlamentar nem cargo no governo, tornou-se uma espécie de assessor político informal do presidente Jair Bolsonaro, que diante do mais novo escândalo abusa da vitimização.

Na segunda-feira (4), no Rio de Janeiro, Bolsonaro disparou: “Estão agora me acusando de ter armado a corrupção com compra superfaturada de ônibus, mas nem a licitação foi feita ainda. E quem descobriu fomos nós. Temos gente trabalhando em cada ministério com lupa no contrato. Por isso, não tem corrupção”.

Ciro Nogueira chegou ao comando da Casa Civil para, com a anuência espúria de Bolsonaro, controlar a distribuição de cargos no governo e a liberação de verbas pública. Segundo revelou o jornal “O Estado de S. Paulo”, Ciro controla pessoalmente a liberação de recursos do FNDE.

O brasileiro precisa reagir com a máxima urgência, pois o País está diante de um governo autoritário e corrupto, cujo presidente pretende permanecer no cargo mais quatro anos a partir de 2023.


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