Mourão usa a tribuna do Senado para cobrar golpe militar após Operação Tempus Veritatis

 
General da reserva do Exército e ex-vice-presidente da República, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que adotou silêncio obsequioso enquanto o golpismo avançava a passos largos, usou a tribuna do plenário do Senado, nesta quinta-feira (8), para cobrar uma reação à altura dos militares após a Operação Tempus Veritatis, da Polícia Federal.

Em discurso, Mourão pediu aos comandantes das Forças Armadas para não se omitirem diante do o que chamou de “condução arbitrária de processos ilegais” que atingem os integrantes da instituição.

“No caso das Forças Armadas, os seus comandantes não podem se omitir perante a condução arbitrária de processos ilegais que atingem seus integrantes ao largo da Justiça Militar. Existem oficiais da ativa sendo atingidos por supostos delitos, inclusive oficiais generais. Não há o que justifique a omissão da Justiça Militar”, declarou Mourão.

O senador, na verdade, usou o plenário do Senado para cobrar um golpe de Estado, como se regime democrático Brasil não existisse e os militares estivessem acima da lei e de todos.

Horas após o discurso, Mourão afirmou à imprensa que defende que a investigação contra militares “que eventualmente podem ter cometido crimes” tramite na Justiça Militar. O caso está sob responsabilidade do STF.

“Existe a Justiça Militar. Nós temos militares que eventualmente podem ter cometido crimes em função militar. Esse é um objeto que o Exército deveria ter aberto há muito tempo, o Inquérito Policial Militar”, disse aos jornalistas.

“[Deveria] estar conduzindo essa investigação e, caso ao longo da investigação se comprovasse que aquelas pessoas tivessem cometido algum tipo de crime que não fosse afeto à justiça militar, então passassem às mãos de quem estaria conduzindo o restante dos inquéritos”, completou.


 
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Mourão se vale da ignorância de conveniência para defender a própria classe, que desde o fim da ditadura militar acredita que continua mandando no País. A Justiça Militar – na opinião do UCHO.INFO é uma aberração, um tribunal de exceção – existe para julgar crimes militares. Golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito são crimes comuns, portanto não compete à Justiça Militar julgá-los.

Hamilton Mourão, que está longe de ser um néscio, por esse motivo a declaração de “devassa persecutória ao arrepio da lei” é descabida. Se algo aconteceu nos últimos tempos ao arrepio da lei, certamente foi a tentativa de golpe liderada por Bolsonaro.

Cassação de mandato

O líder do PSOL na Câmara dos Deputados, Guilherme Boulos (PSOL-SP), pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, afirmou nas redes sociais que pretende entrar com pedido de cassação do de Mourão. Segundo o parlamentar, o pedido é motivado pelo entendimento de que o senador incitou as Forças Armadas a “ações golpistas de descumprimento judicial.”
“O PSOL já está elaborando a representação. Sem anistia a nenhum golpista!”, afirmou Boulos.

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), vice-líder da bancada da federação PSOL-Rede, também divulgou nas redes sociais que apresentará denúncia contra o senador Hamilton Mourão, acusando-o de incitar militares das Forças Armadas contra a PF e o STF.


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