
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu para baixo a previsão de crescimento global em 0,2 ponto percentual em relação às projeções anteriores, de janeiro.
Na primeira atualização da entidade desde o início da guerra de Estados Unidos e Israel no Irã e a consequente crise energética, o FMI projetou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global de 3,1%, em comparação com a estimativa anterior, que apontava uma alta de 3,3%. Em 2025, a expansão econômica ficou em 3,4%.
De acordo com o economista-chefe da entidade, Pierre-Olivier Gourinchas, o crescimento econômico mundial seria revisto para 3,4% em 2026, não fosse a guerra.
Os dados foram publicados no relatório “Perspectivas da Economia Mundial”. O documento também prevê uma alta de 4,4% na inflação global em 2026, 0,6 p.p. acima da estimativa publicada em janeiro.
Brasil se beneficiará da crise
O Brasil, por outro lado, teve o crescimento do PIB revisto para cima em 0,3 p.p., para 1,9%. A estimativa é mais otimista que a do Banco Central (BC), que indicou um incremento de 1,6%, e a do governo federal, de 1,8%.
Segundo o organismo internacional, a maior economia da América Latina será beneficiada em 2026 por sua condição de exportador líquido de energia, o que lhe permitirá tirar proveito da alta dos preços internacionais.
Além disso, estima que o impacto do conflito no Oriente Médio terá um efeito positivo líquido de 0,2 ponto percentual no PIB brasileiro para este ano.
No entanto, para 2027, o FMI reduziu a previsão da economia brasileira em 0,3 p.p., para uma alta de 2%, por causa do choque de preços e consequente redução no investimento.
Apesar do ajuste para baixo para o próximo ano, o organismo destacou que o Brasil conta com ferramentas sólidas para resistir à crise, por possuir “reservas internacionais adequadas, uma baixa dependência da dívida em moeda estrangeira e amplos colchões de liquidez por parte do governo”.

Maior impacto no Oriente Médio
Entre as duas maiores economias do mundo, o crescimento dos EUA ainda deve acelerar para 2,3% este ano, embora o ritmo de crescimento tenha sido revisado ligeiramente para baixo.
“Os EUA estão se beneficiando, em certa medida, dos preços mais altos da energia”, disse Gourinchas. Já o crescimento da China, de acordo com o FMI, deve ficar em 4,4%, também um pouco abaixo da previsão de janeiro.
O FMI sinalizou uma “desigualdade” subjacente em ambas as economias. A atividade interna fica atrás das exportações na China, enquanto o forte desempenho nos Estados Unidos tem sido acompanhado por um baixo crescimento do emprego.
Em toda a zona do euro, o crescimento econômico deve desacelerar para 1,1%, ante uma projeção de 1,4%, com a Alemanha e a França perdendo 0,3 pontos percentuais nas projeções.
Na Grã-Bretanha, a economia deve agora crescer 0,8%, a redução mais acentuada entre os países do G7, ante uma projeção anterior de 1,3%.
Os maiores afetados pela guerra serão os países do Oriente Médio e Norte da África. Segundo o relatório, o PIB da região deverá crescer de 1,1% em 2026, abaixo dos 3,2% projetados para 2025, visto que a região sofreu “o impacto mais direto do conflito”. A projeção anterior, publicada em janeiro, era de alta de 3,9%.
De acordo com o FMI, o Irã deverá registrar uma retração de 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa anterior à guerra apontava um crescimento de 1,1%.
O Qatar, onde uma das principais instalações de produção de gás natural foi danificada, a atividade econômica deverá recuar 8,6% em 2026. Já o PIB do Iraque deverá cair 6,8% em 2026.
No contraponto, a Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo bruto, está em melhor situação graças ao acesso ao Mar Vermelho, o que permite ao país contornar o Estreito de Ormuz. O crescimento da maior economia da região deverá atingir 3,1% em 2026, em comparação com os 4,5% previstos anteriormente.





