
Líbano e Israel realizaram o primeiro contato direto em quase três décadas na terça-feira (14). A reunião, sediada em Washington e mediada pelos Estados Unidos, foi motivo de reações de esperança da comunidade internacional.
A coordenadora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Líbano, Jeanine Hennis-Plasschaert, saudou o encontro, classificado como um passo vital em direção ao fim dos bombardeios.
Fim do ciclo de violência
A enviada da ONU declarou que este impulso inicial pode crescer gradualmente, rompendo o ciclo de violência e pavimentando o caminho para uma estabilidade duradoura na região.
Horas após o início das conversas, o secretário-geral da ONU endossou o momento histórico, destacando que está aberta a janela de oportunidade para a paz.
Para António Guterres, é hora de Israel e do Líbano trabalharem juntos, para que o Líbano deixe de sofrer com a conjugação negativa das ações tanto do Hezbollah como de Telavive.
Comboios barrados no terreno
Apesar das manifestações no meio diplomático, no terreno as forças de paz da ONU estão encontrando barreiras para monitorar a situação. A Força Interina da ONU no Líbano, Unifil, relatou que um de seus comboios, transportando pessoal e suprimentos vitais para a sede em Naqoura, foi interceptado e travado por forças israelenses a poucos quilômetros de seu destino.
O episódio ocorreu apesar de uma coordenação prévia. Embora o comboio internacional tenha sido impedido de prosseguir temporariamente, a situação foi ainda pior para os trabalhadores locais que acompanhavam a missão, que foram obrigados a retornar a Beirute.
A missão alerta que esses bloqueios não são casos isolados. As restrições contínuas de movimentação ameaçam cortar a via de passagem de suprimentos essenciais como alimentos, combustível e água.
Estes itens são necessários não apenas para a sobrevivência, mas para que a ONU consiga cumprir seu mandato de monitorar as violações na Linha Azul, localizada na fronteira que divide Israel e Líbano.
Fuga em massa
A crise humanitária deixou mais de 1 milhão de deslocados. Até 35% dessas vítimas são crianças em busca de refúgio. Mais de 140 mil civis vivem em abrigos coletivos, com a infraestrutura básica do país no limite.
A expansão da zona militar agrava a crise. Novas ordens de evacuação de Israel para as áreas ao sul do rio Zahrani sinalizam que a escalada do conflito está longe de terminar, levantando receios sobre novas ondas de deslocamento em massa.
O Programa Mundial de Alimentos, WFP, soou o alarme sobre um “apagão iminente”. A rede de telecomunicações do Líbano falha rapidamente, sufocada pelos danos à infraestrutura, falta crônica de combustível e uma economia colapsada.
No sul do país, o acesso à energia e à comunicação tornou-se um privilégio instável e desigual.
Corrida contra o tempo
Diante do fogo cruzado e da burocracia, as equipes humanitárias estão operando no escuro. As agências querem uma aprovação urgente de sistemas de comunicação via satélite para tentar coordenar resgates e entregas em áreas inseguras.
A alta contínua de vítimas civis e os ataques a hospitais pressionam um sistema de ajuda que já sofre com enormes lacunas de financiamento.
Em meio ao esforço para conter crises, a ONU também anunciou a liberação de fundos de socorro. O Fundo Central de Resposta a Emergências, Cerf, destinou US$ 12 milhões ao Irã para sustentar serviços essenciais e apoiar populações em extrema necessidade. (Com ONU News)






