
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama Melania Trump foram retirados às pressas de um jantar com jornalistas em Washington na noite do último sábado (25), após um homem trocar tiros com seguranças na entrada do evento.
Não houve feridos. Mais tarde, Trump descreveu o ocorrido como um ataque de “aspirante a assassino”.
O suspeito, detido por autoridades americanas, teria visado representantes do governo. “Parece que ele de fato estava mirando gente que trabalha na administração [federal], provavelmente aí incluído o presidente”, declarou o procurador-geral Todd Blanche à emissora NBC.
Mais tarde, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi mais direta ao afirmar que o incidente se tratou de uma tentativa de “assassinar” Trump. Em publicação nas redes sociais, ela disse que o evento foi “sequestrado por uma pessoa desequilibrada […] que tentou assassinar o presidente e matar o maior número possível de altos funcionários do governo Trump”.
O que aconteceu?
Por volta das 20h35 do horário local (21h35 de Brasília), ouviram-se baques surdos de tiros do lado de fora do salão que sediava o jantar anual de gala da Associação de Correspondentes da Casa Branca, no hotel Washington Hilton.
Um homem havia acabado de furar o esquema de segurança montado para o evento, que, além de Trump, teve a participação do vice-presidente JD Vance e de diversos outros membros do governo americano, em um total de 2.600 convidados.
Momentos antes, imagens de vídeo mostravam Trump e a esposa sentados a uma mesa no palco, conversando com alguém.
O suspeito, que segundo as autoridades americanas portava uma espingarda, uma arma de fogo de cano curto e diversas facas, chegou a trocar tiros do lado de fora com os agentes antes de ser imobilizado e detido.
De início, Trump e Melania mal se moveram. “Pensei que fosse uma bandeja caindo”, declarou o presidente horas mais tarde a repórteres, referindo-se ao som de tiros. Ao perceberem a confusão, pessoas começaram a gritar “abaixem-se, abaixem-se!”. Convidados em trajes de gala esconderam-se debaixo das mesas enquanto agentes de segurança sacavam suas armas. Outros, à paisana, empurraram funcionários do governo para o chão e os protegeram com os próprios corpos, ou formaram um cordão de proteção.
Enquanto isso, agentes de segurança usando uniformes de combate invadiram o palco, apontando fuzis para o salão, enquanto Trump, sua esposa e Vance eram retirados do local. Integrantes do gabinete que estavam sentados em mesas espalhadas pelo enorme salão foram escoltados para fora, um a um, por suas equipes de segurança. Fora do hotel, membros da Guarda Nacional e outras autoridades acudiram em massa à área, enquanto eram acompanhados por helicópteros.
Quem é o suspeito?
O suspeito foi identificado pelas autoridades como Cole Tomas Allen, engenheiro mecânico de 31 anos, morador da Califórnia e mestre em ciência da computação. Ele também desenvolve jogos e é professor em uma empresa que prepara alunos para a universidade.
Trump chegou a compartilhar uma foto dele nas redes sociais, imobilizado no chão, de bruços, e algemado.
Segundo Blanche, o suspeito viajou de trem da Califórnia até Washington e fez check-in como hóspede no hotel que sediava o evento. Ele portava, além de uma espingarda, uma arma de cano curto, compradas legalmente, e diversas facas.
O homem será conduzido a um juiz na segunda-feira, e responderá a acusações por porte de armas durante crime violento e ataque contra agentes federais.
“Minha impressão é de que ele era um lobo solitário”, disse Trump após o ocorrido. No domingo, o republicano ainda afirmou que Allen escreveu um “manifesto anticristão” antes do incidente. “A irmã ou o irmão dele, na verdade, estavam reclamando disso. Eles chegaram a fazer denúncias às autoridades. Ele era um cara muito perturbado”, afirmou em uma entrevista ao canal Fox News.
Segundo as autoridades, a família do acusado havia alertado a polícia em Connecticut após receber um manifesto enviado por Allen pouco antes do ataque.
De acordo com o tabloide The New York Post, o suspeito enviou mensagem à sua família antes de realizar o ataque, na qual admitiu sua intenção de matar membros do governo Trump, que classificou como “criminosos”.
No texto, o suspeito se autodenomina um “Assassino Federal Amigável”, disseram oficiais envolvidos nas investigações a agências de notícias.
A Associated Press informou que o homem usou o manifesto para criticar veementemente as medidas recentemente adotadas pelo governo dos EUA sob a gestão de Trump, embora não tenha mencionado o nome do presidente republicano. Já fontes ouvidas pela Reuters indicam que o documento ainda zombava da “insana” falta de segurança no hotel Hilton, onde o evento ocorreu. (Com agências internacionais)







