Europa registra temperaturas recorde em onda de calor extremo

Uma onda de calor extremo atinge grande parte da Europa Ocidental nos primeiros dias de verão. Reino Unido, França, Itália e Espanha emitiram alertas vermelhos, pedindo que a população projeta a própria saúde. As temperaturas batem recordes em diferentes pontos do continente.

Autoridades adotam medidas excepcionais nas áreas mais afetadas, incluindo o fechamento de escolas e ferrovias. As redes de transporte em toda a Europa estão sob pressão.

Na Espanha, partes do sul e do norte do país estão sob alerta máximo, com “perigo extraordinário” identificado pela agência nacional de meteorologia. A previsão é que as temperaturas batam os 44°C.

A orientação é que a população redobre os cuidados com pessoas vulneráveis, beba água e evite esforços físicos nas horas mais quentes.

Já o Ministério da Saúde da Itália declarou alerta vermelho para onda de calor em 15 cidades, incluindo Milão e Roma. Houve apagões em grandes centros urbanos devido ao aumento do uso de ar-condicionado.

Cientistas apontam que as ondas de calor recorrentes são um claro sintoma do aquecimento global, alertando que elas tendem a se tornar mais frequentes, duradouras e intensas, impulsionadas pela queima de combustíveis fósseis.

Calor sem precedentes na Inglaterra

Enquanto isso, dezenas de escolas na Inglaterra anunciaram que encerrariam as atividades mais cedo nesta terça-feira (23) e permaneceriam fechadas por mais dois dias.

“A maioria dos nossos prédios não pode ser resfriada adequadamente e há pouca sombra externa”, disse uma escola no sudeste do condado de Buckinghamshire.

As temperaturas podem chegar a 40°C, um fenômeno sem precedentes para esta época do ano, no centro e no sul da Inglaterra. A empresa ferroviária britânica Network Rail recomendou que passageiros viajem apenas se necessário ao longo da semana.

“Ver temperaturas assim no Reino Unido em junho é alarmante”, disse o chefe científico do serviço meteorológico britânico, Stephen Belcher. “A mudança climática causada pelo ser humano tornou eventos como este mais prováveis e mais intensos.”

Mortes por afogamento na França

A França registrou entre segunda e terça-feira sua noite mais quente desde o início das medições, em 1947, segundo a agência Meteo-France. O país fechou mais de 1.350 escolas na segunda-feira.

Cinquenta e quatro departamentos estão sob alerta vermelho, em um cenário que meteorologistas classificam também como inédito. Alguns trens foram cancelados, incluindo entre Paris e Bruxelas.

As condições extremas devem durar pelo menos até o fim da semana, com temperaturas acima de 40°C em várias cidades. “São esperadas novas temperaturas recordes, algumas podendo superar todos os registros anteriores, independentemente da época do ano”, disse a agência.

Em todo o país, pessoas têm pulado em canais e rios para se refrescar. A ministra dos Esportes, Marina Ferrari, disse compreender a necessidade, mas alertou para os riscos de nadar em locais não autorizados ou perigosos.

Em reunião de crise, o primeiro-ministro Sebastien Lecornu alertou para “uma tragédia de afogamentos”, afirmando que 40 pessoas, em sua maioria jovens, morreram desde 18 de junho. Ele pediu ao governo que assegure “um plano de resistência para os hospitais” diante do calor.

Na Alemanha, a polícia informou na segunda-feira que cinco banhistas morreram no fim de semana.

Europa aquece acima da média global

A Europa está aquecendo mais do que o dobro da média global, segundo a Organização Meteorológica Mundial, tornando episódios prolongados de calor cada vez mais prováveis.

A Meteo-France afirmou que as condições atuais são comparáveis à onda de calor de agosto de 2003, que durou 16 dias e causou cerca de 80 mil mortes em excesso na Europa, segundo a União Europeia. Ainda não há certeza sobre a duração do episódio atual.

Madrid abriu abrigos climáticos para pessoas vulneráveis, incluindo moradores de rua. Os espaços oferecem ambiente com temperatura controlada, alimentação básica, chuveiros e local para descanso, disse Juan Carlos Arellano, do serviço social Samur.

Na Itália, tempestades eram esperadas ainda nesta terça-feira nos Alpes e Apeninos, com chuvas intensas, ventos fortes e granizo. Em Londres, fortes chuvas noturnas — parte do mesmo padrão climático instável — causaram interrupções, inclusive no aeroporto de Heathrow.

Nos últimos quatro anos, mais de 200 mil pessoas morreram na Europa por causas relacionadas ao calor, e a maioria dessas mortes poderia ter sido evitada, informou este mês o escritório europeu da Organização Mundial da Saúde (OMS). As altas temperaturas podem causar exaustão pelo calor e insolação potencialmente fatal. (Com agências internacionais)