Falso bom-mocismo: Bolsonaro diz em depoimento que desejava “consertar” arma apreendida em blitz

A Polícia Civil do Distrito Federal ouviu, na tarde desta terça-feira (23), o ex-presidente e golpista condenado Jair Bolsonaro no âmbito de inquérito que apura a apreensão de arma de fogo registrada em nome dele durante uma blitz na semana passada.

O delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia, chegou ao condomínio onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por volta das 14h30 e saiu de lá 40 minutos depois, às 15h10. O advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, acompanhou todo o depoimento.

De acordo com o advogado, Bolsonaro falou por cerca de 5 minutos e repetiu a versão que já apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), de que solicitou ajuda a um militar da segurança presidencial após identificar que a pistola Glock 9mm não estava funcionando.

No depoimento, Jair Bolsonaro também disse que não pediu ao militar para que tirasse a arma do condomínio e levasse para o conserto, mas que averiguasse o funcionamento da pistola.

A depender do teor do inquérito policial e dos elementos carreados, as condutadas de Bolsonaro e do militar de sua segurança pessoal podem ser enquadradas em duas situações distintas:

1. Infração administrativa: o ex-presidente e o militar possuem porte de arma, que estava devidamente registrada, mas sem a documentação exigida no transporte;

2. Violação do Estatuto do Desarmamento: a lei prevê que é crime “possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar”. A pena é de 3 a seis anos de prisão, além de multa.

Ultrapassa as fronteiras do bom-senso um condenado por tentativa de golpe de Estado, que cumpre prisão domiciliar, manter em sua posse arma de fogo. Considerando o perfil comportamental de Jair Bolsonaro, a referida arma de fogo é uma ameaça constante. É importante lembrar o episódio de violação da tornezeleira eletrônica, danificada com o uso de um ferro de solda.

Na ocasião, os advogados de Jair Bolsonaro alegaram que o dano ao equipamento foi causado por um estado de “paranoia e alucinação”, provocado por um surto e efeitos colaterais de novos medicamentos.

Também é importante rememorar o episódio protagonizado por Roberto Jefferson, que recebeu policiais federais com tiros de fuzil e granada, como forma de reagir a uma ordem de prisão expedida pelo STF.

A Justiça precisa realizar uma checagem minuciosa na casa de Jair Bolsonaro, que pode ter em seu poder outras armas de fogo.