
Enquanto a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) derrete na esteira de escândalos e polêmicas, piora sobremaneira a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Em prisão domiciliar devido a problemas de saúde, o golpista Jair confunde o benefício por razão humanitária com senha para transformar a própria residência em comitê político-eleitoral.
Na última semana, Jair Bolsonaro divulgou carta em que afirma que Flávio é seu “porta-voz” e candidato à Presidência da República, ao mesmo tempo em que defende o fim da cizânia familiar, que ganhou contornos trepidantes com o vídeo divulgado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
“O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, violência e empobrecimento”, escreveu Bolsonaro, sem citar Michelle.
Alvo de críticas das mais diversas, inclusive da direita, a carta foi lida por Flávio Bolsonaro durante transmissão ao vivo nas redes sociais. Pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD) ironizou a carta.
“Flávio Bolsonaro, 45 anos, leu uma carta do pai ao vivo pra dizer que está pronto para ser presidente”, comentou Caiado, acrescentando que “liderança não se herda, se demonstra”.

Materialização do desespero que toma conta da pré-campanha de Flávio, a carta pode levar à revogação da prisão domiciliar concedida a Jair Bolsonaro, que corre o risco de voltar ao complexo prisional da Papuda, precisamente à Papudinha.
Ultrapassa os limites da razoabilidade um condenado à prisão divulgar carta em favor de determinado candidato à Presidência. Fosse um preso comum, Bolsonaro, caso conseguisse entregar a carta a terceiro, já estaria enfrentando as consequências do próprio ato, que representa afronta à Justiça.
Arma de fogo
Logo após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que todas as armas de fogo registradas em nome de Bolsonaro fossem entregues à Polícia Federal, alguns jornalistas classificaram a decisão como perseguição política, o que não condiz com a verdade.
Quando o Estado chama para si o direito de julgar, condenar e prender, ao mesmo tempo assume a responsabilidade pela custódia do apenado, assim como por sua reabilitação, mesmo que no campo da teoria, pois na prática dificilmente acontece.
A concessão de prisão domiciliar não exime o Estado de suas obrigações em relação ao condenado, que no caso são estendidas a todos os que com ele convivem.
Considerando que a defesa de Jair Bolsonaro alegou que o cliente faz uso de medicamentos fortes, os quais causam problemas de cognição, cai por terra a tese de que o ex-presidente necessita de arma de fogo por residir com três mulheres.
Tomando por base que o próprio Bolsonaro alegou surto psicótico para justificar a violação da tornezeleira eletrônica com um ferro de solda, a segurança e integridade de todos os que com ele convivem também é de responsabilidade do Estado, mesmo que indiretamente.



