
A família Bolsonaro está decidida a provocar o Supremo Tribunal Federal (STF), como forma de agitar a militância em favor da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que concorrerá à Presidência da República e vem desidratando nas pesquisas eleitorais.
Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, Flávio está proibido de visitar o pai nos próximos 90 dias. A proibição decorre da divulgação nas redes sociais de carta escrita pelo golpista condenado em favor da candidatura do filho “01”, chamado de “porta-voz” do ex-presidente.
Inconformado com a decisão, Flávio falou em perseguição política por parte de Moraes e recorreu ao Conselho Federal da OAB para visitar o pai na condição de advogado. A OAB, por sua vez, protocolou pedido direcionado a Alexandre de Moraes para que o senador tenha garantido o direito de visitar o cliente, no caso o próprio pai.
Como afirmamos em matéria anterior, a OAB, nas entrelinhas do requerimento, tentou legalizar a burla e a perfídia, pois é sabido que Flávio Bolsonaro jamais atuou como advogado de Jair Bolsonaro, principalmente no processo da malfadada e fracassada tentativa de golpe de Estado.
O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, mas por questões de saúde cumpre a pena em prisão domiciliar, com direito a medidas cautelares, entre as quais a proibição de uso de redes sociais diretamente ou por meio de terceiros.
Nesta quarta-feira (15), atendendo a determinação de Moraes, a defesa de Jair Bolsonaro informou que o ex-presidente “jamais soube” que Flávio divulgaria a carta de apoio a sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PL.

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No documento protocolado no STF, os advogados afirmam que Bolsonaro “jamais soube que a carta seria publicizada, tampouco houve qualquer orientação, ajuste ou combinação prévia acerca da utilização de redes sociais para esse fim”.
“A referência feita pelo senador Flávio Bolsonaro durante a leitura do documento traduz manifestação por ele proferida e não corresponde a circunstância previamente conhecida [por Bolsonaro]. A circunstância de a carta ter sido posteriormente divulgada em redes sociais decorreu de decisão adotada sem que houvesse prévia ciência do [ex-presidente]”, destacou a defesa.
O argumento dos advogados cai por terra, pois o ex-presidente golpista, que insiste em acionar o coitadismo, iniciou o documento com a expressão “carta aos brasileiros”. Ninguém escreve uma carta para determinada pessoa, no caso Flávio, com a citada expressão.
Considerando a fragilíssima tese da defesa de que Jair Bolsonaro escreveu uma carta para não ser divulgada, bastava aguardar a visita de Flávio para transmitir pessoalmente o conteúdo do documento. Por razões óbvias, Flávio sabe que o pai o apoia na tentativa de chegar ao Palácio do Planalto.
Sobre a recomendação para que as diferenças sejam deixadas de lado, em referência inominada a Michelle Bolsonaro, tal solicitação é descabida em uma carta escrita para não ser divulgada. Uma simples conversa com Flávio e Michelle seria suficiente para hastear a bandeira da paz, movimento que a ex-primeira-dama tem demonstrado ser contra.
Conhecedor das medidas cautelares impostas pelo STF, Jair Bolsonaro escreveu a tal carta para que fosse lida e divulgada nas redes sociais, a exemplo do que fez Flávio. O senador, de igual modo, também tinha ciência das medidas cautelares, mas divulgou a “carta aos brasileiros” nas redes sociais, na condição de “longa manus” do pai, para provocar e testar o STF.
Tomando por base que Flávio agora cobra o direito visitar o pai como advogado, resta concluir que o senador é um profissional do Direito de competência questionável, pois incentivou o cliente a desrespeitar as medidas cautelares que acompanham uma condenação transitada em julgado.
Em suma, deboche de Jair, deboche de Flávio. E os advogados se prestando a papel pífio e menor, como se o STF fosse órfão de cabeças pensantes.



