
Há no vasto, coerente e bem-humorado repertório de Milton Viola Fernandes, o saudoso Millôr, uma frase irônica que retrata com precisão o comportamento extremista de Javier Milei, presidente da Argentina: “democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim”.
Escorado na doutrina da extrema direita global, Milei veio ao Brasil no último final de semana para participar da convenção do PL que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Na ocasião, o argentino proferiu críticas e ofensas ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atentando contra as históricas relações diplomáticas e comerciais entre ambos os países.
Populista e apasquinado, Milei editou decreto que proíbe a entrada e autoriza a expulsão de estrangeiros que promovam ou incentivem discursos de ódio, discriminação ou violência contra a Argentina e seus cidadãos. O decreto tem validade temporária, pois depende de aprovação do Congresso.
O decreto entrou em vigor, mesmo que em caráter temporário, após Javier Milei afirmar, sem apresentar provas, que uma alegada campanha contra a Argentina nas redes sociais durante a Copa do Mundo de 2026 partiu de membros da esquerda brasileira, mexicana e estadunidense.
A frágil e descabida argumentação de Milei contrasta com a declaração do ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou na quarta-feira (29), em entrevista, que o governo Milei vê o mundo “de maneira diferente” do governo Lula.
“Acredito que precisamos situar este episódio mais recente no contexto de uma série de incidentes ocorridos entre o Brasil e a Argentina, decorrentes das diferenças políticas e ideológicas existentes — especificamente entre o presidente Milei e o presidente Lula. Enxergamos o mundo de maneiras completamente diferentes”, declarou Quirno.
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A justificativa de Quirno e a verborragia insana de Javier traduzem o conceito de democracia que a extrema direita global defende. Em outras palavras, ou concorda-se com a Argentina ou aceita-se o destempero de Milei e seus prepostos.
Como bem destacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após os ataques do homólogo argentino, Milei é um “capanga de Trump”, que agem de forma orquestrada para de alguma maneira interferir nas eleições brasileiras de outubro, favorecendo a campanha de Flávio Bolsonaro.
O referido decreto autoriza a expulsão de estrangeiros que propagarem discurso de ódio contra a Argentina e seus cidadãos, mas Milei acredita ter o direito de vir ao Brasil para insultar autoridades brasileiras, apenas porque vê o mundo de maneira diferente. Além disso, argentino sentem-se autorizados a praticar atos racistas contra brasileiros.
O editor do UCHO.INFO tem ciência de que corre o risco de ser proibido de entrar na Argentina, mas não hesita em afirmar que Javier Milei é infame e insignificante, que recorre à chamada “lacração” para manter-se em evidência.
Diante do imbróglio em questão, resta admitir que o espírito do finado cão de Milei está falhando como conselheiro do outrora tutor.
Como disse o filósofo político italiano Norberto Bobbio, “o fascista é apenas um criminoso, um sociopata que persegue a carreira política”.




