Organização de direitos humanos pede à Fifa que impeça reeleição de Gianni Infantino

O grupo de direitos humanos FairSquare solicitou à Fifa que impeça a reeleição de Gianni Infantino como presidente da entidade máxima do futebol mundial. A organização argumenta que Infantino já cumpriu o máximo de três mandatos permitidos pelos estatutos da organização.

Em 2022, o atual presidente argumentou que seu primeiro mandato não deveria ser contabilizado, pois completou um mandato interrompido. A situação em questão ocorreu em 2016, quando Infantino foi eleito em um Congresso Extraordinário após a renúncia de Joseph Sepp Blatter.

Em carta enviada ao Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade (GACC) da Fifa, a FairSquare afirmou que a interpretação de conveniência de Infantino contraria o estatuto da entidade.

“As regras estabelecem claramente que três mandatos presidenciais são o máximo permitido, a Fifa não pode simplesmente contornar essa regra, que serve como um freio ao poder presidencial, alegando que seu primeiro mandato não conta”, afirma a organização.

Sob pressão

Gianni Infantino enfrenta forte pressão, que deve durar até o próximo o Congresso da Fifa, marcado para 8 de março de 2027, no Marrocos. Na ocasião, Infantino tentará conseguir sinal verde para a reeleição (2027 a 2031).

Na última semana, a Uefa, a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol solicitaram uma revisão da conduta do presidente após a Fifa propor a criação de uma subsidiária – Fifa Forward Enterprise (FFE) – com caixa de US$ 20 bilhões (R$ 104 bilhões) para comercializar as competições da entidade. O plano tinha como objetivo atrair investimentos privados, inclusive para a Copa do Mundo.

O presidente da Fifa buscou o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas a investida fracassou. Um dos interessados na subsidiária da Fifa é o empresário americano Joshua Kushner, irmão do genro de Trump, Jared Kushner.

Joshua Kushner esteve no centro de polêmica envolvendo a Fifa, após seu fundo de investimentos, a Thrive Eternal, ser escolhido para liderar a compra de 20% de ações da FFE por US$ 4,2 bilhões

Outras federações nacionais também se manifestaram em relação ao caso. Na última semana, o diretor-executivo da Federação Escocesa de Futebol, Ian Maxwell, informou que a federação não apoiará a reeleição de Infantino.

Apesar do protesto de várias confederações importantes, o atual presidente da Fifa mantém o apoio das confederações africana e sul-americana.

Caso Infantino consiga caminho livre para a reeleição, muitas competições da entidade poderão sofrer boicote, a começar pela Copa do Mundo Feminina 2027, que acontecerá no Brasil.