
Ex-dono do liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro tentou firmar dois acordos de colaboração premiada, mas não teve sucesso por insistir em não revelar nomes de políticos e autoridades envolvidos no maior caso de fraude bancária do País.
Com a Polícia Federal de posse de dezenas de dispositivos eletrônicos apreendidos durante fases da Operação Compliance Zero, que propiciaram acesso a relevantes informações e provas sobre o caso, as propostas de delação do ex-banqueiro foram rejeitadas pela Procuradoria-Geral da República e pela própria corporação.
Desde que foi preso, Daniel Vorcaro trocou de advogados na esperança de conseguir algum benefício. Deixaram a sua defesa os criminalistas Pierpaolo Bottini e José Luiz de Oliveira Lima, conhecido como Juca.
Acreditando na possiblidade de estruturar nova proposta de delação, objetivando a redução do tempo de detenção, além da devolução de valores exigida pelas autoridades, Vorcaro contratou o advogado Sérgio Leonardo. Recentemente, juntou-se à defesa do ex-banqueiro o criminalista Daniel Bialski.
Apesar do empenho dos advogados na elaboração de uma proposta de colaboração premiada com chance de ser referendada pela PF e pela PGR, o trabalho da defesa se deparou com o inesperado nesta quarta-feira (26).
Operador de desvios
Ex-dono da Reag Investimentos, gestora de fundos que operou com o Master, João Carlos Mansur entregou proposta de acordo de delação premiada à PGR. O acordo passa por ajustes, antes de ser assinado. Depois terá de passar pelo crivo do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
De acordo com a proposta, Mansur pagará R$ 40 milhões em multas, montante equivalente ao que recebeu enquanto a Reag estava em funcionamento. A proposta entregue à PGR contém 17 anexos, com detalhes de possíveis crimes financeiros.
O foco principal da proposta de Mansur é Daniel Vorcaro, com quem o empresário tentou fazer delação conjunta quando ambos eram defendidos pelo criminalista José Luís de Oliveira Lima. Atualmente, a defesa de Mansur está sob a responsabilidade do criminalista Aloísio Medeiros.
Na proposta de acordo, Mansur afirma que a Reag prestou serviços para o Master e Vorcaro desde 2019, quando o ex-banqueiro assumiu o controle do banco. A função da Reag era estruturar operações com fundos de investimento.
Mansur revelou que os fundos da Reag serviram desviar dinheiro do Master, operação que contou com “laranjas” como beneficiários e o uso de offshores. O executivo entregou à PGR farta documentação sobre as transações.
Ele destacou ter negociado diretamente com Vorcaro, quando ficou patente que o então banqueiro tinha conhecimento dos desvios e deixou caro ser responsável pelas operações ilegais.
O objetivo da PGR em relação à proposta de delação de Mansur é identificar os caminhos percorridos pela fortuna proveniente dos desvios bilionários operados pelo Banco Master. O ex-dono da Reag revelou nomes de entidades empresariais e fundos usados no esquema criminoso.
Em 2025, João Carlos Mansur e a gestora de fundos foram alvo das operações Carbono Oculto, Quasar e Tank, da Polícia Federal, que investigavam a participação da Reag (liquidada pelo Banco Central) na lavagem de dinheiro de empresas de combustíveis ligadas à facção criminosa PCC.




