
A sessão desta terça-feira (15) do Supremo Tribunal Federal (STF), agendada para decidir se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado por conta das mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, lembrou os antigos “bailinhos de garagem”, onde os meninos tiravam as meninas para dançar. Na época, mandavam as regras do bom-mocismo, convidava-se a moça para uma contradança.
O que se viu logo nos primeiros momentos da sessão do STF foi, ao som da vitrola do escândalo generalizado, um ministro tirando o outro para dançar. A manifestação mais patética e mitômana ficou a cargo do ministro Kassio Nunes Marques, que se declarou impedido de votar no julgamento por não desejar interferir no processo eleitoral, vez que está presidente do Tribuna Superior Eleitoral (TSE).
Nunes Marques foi impelido a abster-se do julgamento na esteira da quebra do sigilo do conteúdo extraído de um dos celulares de Daniel Vorcaro, apreendidos pela Polícia Federal em uma das fases da Operação Compliance Zero.
Entregue a ministros do STF, na segunda-feira (14), o conteúdo integral de um dos celulares de Vorcaro revela diálogos em que o ex-banqueiro trata de pagamentos que seriam destinados ao advogado Kevin Marques, filho do Nunes Marques. Os pagamentos seriam feitos por meio da Consult Inteligência Tributária.

As mensagens foram trocadas entre Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, e o ex-banqueiro. Nas mensagens, Rennó fala em pagamentos mensais de R$ 500 mil.
Procurado, Nunes Marques não se manifestou sobre os diálogos que citam o filho prodígio na seara da advocacia.
A assessoria do ilho do magistrado afirmou por meio de nota que “o advogado Kevin Marques não prestou serviço ao banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. Como informado anteriormente, o advogado Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da Consult, empresa à qual prestou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal”.
Seria enorme surpresa se Kevin Marques viesse a público, mesmo por meio de assessoria, para admitir ter recebido pagamentos do Master ou tivesse prestado algum serviço à liquidada instituição financeira ou ao ex-banqueiro. Caso isso ocorresse, estaríamos diante de réu confesso.
Contudo, causa espécie o fato de o ministro Kassio Nunes Marques não ter se pronunciado a respeito da suspeita que pesa contra o próprio filho. Pior foi a alegação para justificar o anunciado impedimento.



