PF intima Flávio Bolsonaro a entregar passaportes; senador está proibido de deixar o País

Derrotado nas urnas no domingo (25), no segundo turno da eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar seus passaportes (comum e diplomático), estando proibido de deixar o País. A PF cumpriu uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferida nesta segunda-feira (26).

O pedido determina que o passaporte brasileiro de Flávio seja cancelado – incluindo o diplomático; entrega de passaportes de outras nacionalidades em até 24 horas; e a proibição de contato com o Willer Tomaz.

O advogado Willer Tomaz é o pivô da determinação de Moraes, já que ele e Flávio são investigados por lavagem de dinheiro em um esquema que envolveria empresas de Tomaz e bets (apostas online).

Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro falou que a decisão de Moraes foi assinada na noite de domingo. Ele também disse que a intimação pela PF ocorreu assim que ele deixou a casa do pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, no Rio de Janeiro, após ter sido condenado a mais de 27 anos de detenção por tentativa de golpe de Estado.

“Quando estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava lá, na porta da casa dele (Jair Bolsonaro). Fui intimado a entregar meus passaportes e também estou proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo (irmão de Flávio) de 23 de outubro, que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso”, afirmou.

A investigação do caso começou na primeira instância da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, que apurava crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com a utilização de apostas no suposto esquema. Depois que a PF gaúcha quebrou o sigilo telemático de Tomaz, encontrou e-mails que mostravam Flávio cadastrado como “usuário master” de uma conta da empresa Alcazar Holdings, da qual Tomaz é proprietário.

Ele ainda declarou nesta segunda-feira que vai pedir a cassação da chapa de Lula, argumentando que o presidente cometeu abuso de poder político e econômico. Além disso, no vídeo, Flávio Bolsonaro acusa Lula de ter injetado dinheiro público para fazer “a maior compra de votos da história das eleições no Brasil” e critica o ministro Cristiano Zanin, que decidiu prorrogar o horário de votação até as 19h no domingo.

O senador também é formalmente investigado em inquérito do STF que apura o escândalo envolvendo o filme Dark Horse, que teria recebido cerca de R$ 61 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do liquidado Banco Master. Por ser senador, Flávio Bolsonaro goza de foro por prerrogativa de função.