
Morreu nesta sexta-feira (6), aos 92 anos, Nilton Travesso, diretor de televisão que participou de relevantes momentos da história da TV brasileira. Com mais de 70 anos de carreira, ele dirigiu programas que marcaram diferentes gerações e trabalhou nas emissoras Globo, Record, Bandeirantes, Manchete e SBT.
Nascido em São Paulo, em 20 de maio de 1934, Travesso se aproximou do mundo artístico ainda jovem, frequentando espetáculos de ópera no Theatro Municipal. Em 1953, aos 19 anos, soube que Paulo Machado de Carvalho preparava a inauguração de uma emissora. Inscreveu-se em uma seleção para trabalhar como câmera, foi aprovado e participou da fundação da TV Record, da qual foi um dos primeiros profissionais.
Na TV Globo, foi convidado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, para trabalhar no “Fantástico”, em 1974, e participou da criação do programa dominical. Em 1975, Travesso produziu “América do Sul”, com Ney Matogrosso, considerado o primeiro videoclipe da televisão brasileira. A gravação foi feita floresta.
Nos anos 1980, participou da criação de “Som Brasil” e “TV Mulher”. Também comandou a criação do infantil “Balão Mágico” e foi diretor-executivo do “Chico Anysio Show”, em 1986.
Ao longo da carreira, Travesso também dirigiu novelas e programas de diferentes formatos. Era reconhecido pela capacidade de estruturar núcleos de dramaturgia e liderar equipes. Trabalhou em atrações como “Mais Você”, onde foi diretor, e manteve amizades com profissionais que acompanharam sua trajetória, como Jô Soares.

Em entrevista ao “Conversa com Bial”, em 2017, foi lembrado pelo apresentador Pedro Bial e por Jô Soares como uma figura importante para a televisão brasileira.
Em uma participação no “Mais Você”, em 2000, a apresentadora Ana Maria Braga o descreveu como alguém que ajudou a construir a televisão brasileira e destacou seu carinho pela equipe. Travesso, por sua vez, afirmou que não saberia fazer outra coisa além de televisão: “É fascinante”.
Nilton participou da criação da Jovem Pan Online, em 2007, iniciativa que contribuiu para o desenvolvimento da atuação da emissora de rádio no universo do vídeo. Também dividiu os microfones com Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, no programa “Dois Diretores em Cena”, atração que recebeu reconhecimento da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
Em 2001, Nilton Travesso fundou a Nilton Travesso Oficina de Atores, em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista. A Oficina de Atores prepara artistas para o mercado de trabalho, preservando a essência do teatro. A escola oferece formação em distintas áreas das artes cênicas e do audiovisual.
Travesso deixa a esposa Marilu Torres e o filho Marcelo Travesso. O corpo de Nilton Travesso será velado neste sábado (7) na Funeral Home, Bela Vista, região central de São Paulo, das 10h às 17h.



