Ueno Bank: Santiago Peña é preso após Senado do Paraguai aprovar processo de impeachment

Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña foi preso nesta sexta-feira (6), logo após a conclusão da votação da perda de seu mandato pelo Senado do país. A prisão acontece na esteira das investigações sobre gestão fraudulenta e outros crimes relacionados ao escândalo do Ueno Bank.

A ordem de prisão foi emitida por quatro promotores do Ministério Público paraguaio responsáveis pelo caso. A Polícia Pederal do Paraguai foi à residência de Peña assim que o Senado encerrou o julgamento.

Em 2023, Santiago Peña declarou possuir ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis (R$ 5,28 milhões). Ele vendeu sua participação em abril de 2025. O ex-presidente também informou ter um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis (R$ 2,06 milhões) no Ueno Bank um título da empresa Itti, de desenvolvimento de softwares financeiros.

Além disso, o irmão de Peña aparece como sócio da U Holding SARL, empresa supostamente utilizada pelo grupo para controlar o Ueno Bank.

Impeachment

O Senado do Paraguai aprovou na noite sexta-feira (6) o impeachment do presidente Santiago Peña, em meio à grave crise política e financeira que eclodiu após o escândalo do Ueno Bank.

A destituição do presidente foi aprovada por unanimidade – 44 senadores estiveram presentes na sessão. O Senado do Paraguai é composto por 45 parlamentares, mas um não estava presente.

Após a votação, Peña foi imediatamente afastado do cargo. Pouco depois, o Ministério Público do país ordenou a prisão do agora ex-presidente, além de determinar a detenção de Carlos Carvallo, ex-chefe do Banco Central do Paraguai (BCP).

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Com a formalização da destituição, o vice-presidente Pedro Allian assumiu a Presidência no lugar de Peña. Manifestantes do lado de fora do Congresso celebraram o impeachment, mas também protestaram contra a posse de Alliana, acusando o novo presidente de também estar envolvido no escândalo financeiro.

Caso tivesse logrado êxito na renúncia, Santiago Peña conseguiria assumir o cargo de senador vitalício, condição reservada aos ex-presidentes paraguaios e que garante imunidade parlamentar.

Os senadores continuaram a promover o processo impeachment justamente para impedir que Peña ocupasse o cargo de senador e fosse responsabilizado pelo escândalo do Ueno Bank.

Santiago Peña foi representado por advogados durante o julgamento do processo de impeachment, não comparecendo ao Congresso para se defender.

No início da noite desta sexta-feira, antes da conclusão da votação do impeachment, o ex-presidente divulgou mensagem na rede social X tentando justificar a renúncia.

“Apresentei minha renúncia para evitar mais danos ao país e contribuir para devolver a tranquilidade ao Paraguai. Não quero que minha presença seja motivo de maior divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu destino pessoal. Hoje nos cabe nos unirmos como paraguaios para reconstruir a institucionalidade e recuperar a confiança. Despeço-me com gratidão, sem ignorar a angústia daqueles que hoje esperam respostas. É momento de unir esforços para reconstruir a institucionalidade e atender, com fatos e responsabilidade, àqueles que estão sendo afetados”, escreveu.