A informação de que na delação da Odebrecht alguns executivos da empreiteira confirmaram pagamento de propina, por meio de caixa 2, à campanha do atual ministro José Serra (PSDB), das Relações Exteriores, mostra mais uma vez que a corrupção é a mola propulsora da política nacional. A informação ainda precisa ser confirmada, pois até agora trata-se de detalhe vazado no âmbito da Operação Lava-Jato, mas não se deve duvidar da sua autenticidade.
Segundo os delatores, a campanha de Serra recebeu da empreiteira baiana, na ocasião, R$ 23 milhões, montante que corrigido chega a R$ 34,5 milhões. O nome do tucano consta da lista de políticos que receberam propina, documento encontrado na residência do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, durante a Operação Acarajé, 23ª fase da Lava-Jato, deflagrada em fevereiro passado.
Para comprovar o pagamento por meio de caixa dois, a Odebrecht prometeu apresentar extratos bancários que trazem depósitos realizados fora do País e que tinham como destinatária final a campanha presidencial de José Serra em 2010.
Fora isso, funcionários da Odebrecht detalharão pagamentos de propina a intermediários de José Serra, no período em que o tucano foi governador de São Paulo (de 2007 a 2010). Esses pagamentos estariam relacionados à construção do trecho sul do Rodoanel Mário Covas.
Nos dados enviados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a empreiteira doou em 2010 R$ 2,4 milhões para o Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República de Serra (R$ 3,6 milhões em valores corrigidos).
Por meio de nota distribuída por sua assessoria de imprensa, José Serra afirmou que a campanha de 2010 transcorreu dentro do que determina a legislação eleitoral vigente. O tucano afirmou também que as finanças de sua participação na disputa pelo Palácio do Planalto eram de responsabilidade do PSDB. Ainda na nota, Serra informa que ninguém foi autorizado a falar em seu nome.
“A minha campanha foi conduzida na forma da lei e, no que diz respeito às finanças, era de responsabilidade do partido”, afirmou.
Como sempre afirma o UCHO.INFO, qualquer suspeito ou investigado é obrigado a produzir provas contra si mesmo, mas não se pode desconsiderar o fato de que no Brasil o exercício da política exige muito dinheiro, na maioria das vezes de origem duvidosa.
A existência do caixa 2 transformou-se ao longo dos anos em algo tolerado pelas autoridades, mas a grande contribuição da Operação Lava-Jato foi ter provado que esses recursos agregaram o status de “não contabilizados” o detalhe de serem oriundos da corrupção, mesmo que travestidos de doações ilegais.
Considerando que os executivos da Odebrecht precisam falar a verdade no curso das negociações de acordo de colaboração premiada, as quais avançam em Curitiba, o problema maior a partir deste momento é exclusivamente de José Serra. Comprovado o pagamento de propina, Serra deverá ter o mesmo tratamento dos outros envolvidos no maior esquema de corrupção de todos os tempos, o Petrolão.





