Para abafar caso Epstein, o herege Trump ataca Leão XVI e diz que não pedirá desculpas ao papa

Preocupado com os desdobramentos do caso Jeffrey Epstein, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insiste em adotar uma agenda esquizofrênica para desviar a atenção da opinião pública.

Na esteira do pronunciamento de Melania Trump, que há dias negou qualquer envolvimento com Epstein, a modelo brasileira Amanda Ungaro ameaçou revelar detalhes picantes do caso. Em postagens nas redes sociais, a brasileira promete que vai “derrubar” um “sistema corrupto” e afirma que Melania deveria ter medo “do que eu sei… de quem você é, e de quem seu marido é”.

Caso Amanda Ungaro cumpra a promessa e tenha como provar o que alega ser bombástico, a situação do presidente dos EUA tende a piorar sobremaneira. Afinal, as acusações de pedofilia são extremamente graves.

Como forma de criar uma cortina de fumaça diante da declaração de Ungaro, o presidente americano elegeu o Papa Leão XIV como seu novo alvo.

Após semanas de crispações entre o Vaticano e a Casa Branca, Trump passou a atacar Leão XIV, ressuscitando a tensão de quase uma década entre Washington e a Santa Sé durante o primeiro governo do republicano e o papado de Francisco.

No domingo (12), Trump chamou Leão XIV de “fraco” e “terrível” e disse que não quer um “papa que critica o presidente dos EUA”. O Papa, por sua vez, reagiu nesta segunda-feira: “Não tenho medo do governo Trump”.

Na raiz dos ataques de Trump estão as críticas do pontífice à guerra no Irã, iniciada pelos EUA e Israel. Em 29 de março, durante a missa do Domingo de Ramos, Leão XIV afirmou, sem mencionar nomes, que condenava o uso do cristianismo como justificativa para a guerra contra o regime islâmico, como fizeram alguns membros do governo liderado por Donald Trump e muitos de seus apoiadores mais fervorosos.

“Este é o nosso Deus: Jesus, rei da paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra… [Deus] não ouve as orações daqueles que fazem guerra, mas as rejeita, ao dizer que ‘mesmo que multipliquem as suas orações, eu não as ouvirei: as suas mãos estão cheias de sangue’“, declarou durante o sermão.

No último sábado (11), o líder dos católicos fez referência direta à guerra deflagrada por EUA e Israel no Irã, denunciando o “horror e a desumanidade” e implorando aos líderes que buscassem a diplomacia.

“Basta de idolatria, do ego e do dinheiro”, disse o pontífice. “Basta de demonstração de poder; basta de guerra.” Esse parece ter sido o comentário que provocou o mais recente ataque de Trump em sua rede social Truth Social.

Recuo

Nesta segunda-feira, Trump negou que a montagem feita por inteligência artificial divulgada na rede social Truth Social, logo após atacar o Papa Leão XIV, o retratava como Jesus.

“Não era uma representação disso. Eu publiquei, e achei que era eu como médico. Tinha a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz Vermelha, que nós apoiamos — e só a imprensa falsa poderia inventar essa interpretação”, afirmou Trump após ser questionado por jornalistas.

Após ser criticado até mesmo por aliados, que o acusaram de blasfêmia, Donald Trump desceu do pedestal e apagou a pífia montagem de sua rede social.

Soberba

Trump afirmou que não pedirá desculpas a Leão XIV. “O Papa disse coisas que estão erradas e ele é contra o que estou fazendo no Irã, e não podemos ter um Irã nuclear”, afirmou o presidente em entrevista a jornalistas na Casa Branca.

“Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano — e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”, declarou o republicano.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que as falas de Trump sobre o Papa Leão XIV são inaceitáveis. “Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é o líder da Igreja Católica, e é correto e natural que ele peça paz e condene todas as formas de guerra”, destacou Meloni em comunicado.