
O clã Bolsonaro não surpreende. Afinal, reza a sabedoria popular: “o fruto não cai longe da árvore” e “quem puxa aos seus não degenera”. Senador pelo Rio de Janeiro e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, que entre tantas peripécias foi dono da fantástica loja de chocolates, não poderia ficar de fora do escândalo do capitaneado Daniel Vorcaro, ex-dono do liquidado Banco Master.
Diante da inequívoca veracidade da reportagem do Intercept Brasil, Flávio admitiu que pediu a Vorcaro a bagatela de R$ 134 milhões para custear um filme biográfico sobre seu pai, jair Bolsonaro, o golpista condenado a 27 anos e três meses de prisão.
Causa espécie o fato de alguém imaginar que a trajetória de Jair Bolsonaro serve de enredo para uma biografia cinematográfica. Somente lunáticos são capazes de acreditar na epopeia de camelô que acaba de ir pelos ares.
Dos R$ 134 solicitados a Daniel Vorcaro, R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, sendo que parte do dinheiro foi direcionado a um fundo nos Estados Unidos e registrado em nome da família Bolsonaro.
Movido pela insolência herdada do pai, Flávio ousou dizer que não recebeu ou ofereceu qualquer tipo de vantagem a Vorcaro. O senador foi além em suas argumentações e afirmou ser preciso separar inocentes de bandidos. Justo ele que tinha estreita ligação com o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega.

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“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou. No comunicado, Flávio destaca que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, “quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”.
“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, completou Flávio Bolsonaro, dizendo ser a favor da CPI do Master.
Não bastasse o disparate que é produzir um filme sobre alguém que sempre viveu às custas do Estado e atentou contra a democracia, o valor solicitado por Flávio é no mínimo devaneio. Para se ter ideia do absurdo que representa o valor solicitado a Vorcaro, o longa-metragem “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles e vencedor do Oscar de melhor filme internacional, custou R$ 45 milhões. O valor é considerado alto para os padrões da indústria cinematográfica brasileira, mas no cenário internacional é relativamente baixo.
Continuando a comparação… O longa “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, custou R$ 28 milhões, cifra considerada modesta para uma coprodução internacional. O longa estrelado por Wagner Moura contou com recursos oriundos de quatro países: Brasil, Alemanha, França e Holanda.
Somados, os custos de produção de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” representam metade do valor pleiteado por Flávio Bolsonaro. Quando Daniel Vorcaro remodelar a proposta de acordo de colaboração premiada, o Brasil saberá a verdade sobre o filho “01”. Em suma, parodiando o senador Flávio Bolsonaro, é preciso separar os inocentes dos bandidos.





