
Reza a sabedoria popular que “o pior cego é aquele que não quer enxergar”. Tal expressão descreve o comportamento (negação psicológica profunda) de quem se recusa a aceitar verdades óbvias ou foge da realidade por orgulho, medo ou conveniência.
Esse preâmbulo serve para explicar a infame declaração do secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, que culpou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela decisão rasteira da Casa Branca de impor tarifa de 25% a produtos brasileiros.
Na rede social X, Rubio afirmou que “o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou o seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”.
O secretário de Estado americano pode estar enfrentando problemas de cognição, pois a nauseante sabujice que dedica a Donald Trump é prova inconteste do ego desmedido e perigoso do atual presidente dos Estados Unidos, um ególatra incorrigível.
O tarifaço de Trump, que impacta as exportações brasileiras, não é fruto de questões comerciais, mas de estratégia rasteira para distrair a opinião pública americana, que nos últimos meses focou a atenção em dois temas distintos: a situação econômica do país e o escândalo sexual ancorado pelo suicida Jeffrey Epstein.
Por outro lado, o tarifaço foi a forma encontrada pela Casa Branca para interferir nas eleições brasileiras, na expectativa de privilegiar Flávio Bolsonaro, que em meio a polêmicas vem desidratando nas pesquisas eleitorais. Em outras palavras, a declaração de Marco Rubio foi discutida e negociada com a cúpula do bolsonarismo.
Para contrapor a declaração mentirosa de Rubio é importante salientar que autoridades brasileiras de diversos escalões participaram de mais de trinta reuniões (presenciais, virtuais e telefônicas) com representantes do governo dos Estados Unidos. Desse total, Marco Rubio participou de ao menos uma dezena de reuniões.
A questão que fica é o estrago produzido pelo tarifaço na campanha de Flávio Bolsonaro, que em sua viagem aos EUA solicitou que a adoção do tarifaço fosse adiada para depois das eleições, como forma de não comprometer seu projeto de chegar ao Palácio do Planalto.




