Ministério Público da Bolívia manda prender o ex-presidente Evo Morales por “terrorismo”

O Ministério Público (MP) de Santa Cruz, na Bolívia, emitiu, nesta quarta-feira (29), ordem de prisão contra o ex-presidente Evo Morales, no âmbito de um processo criminal que o acusa de terrorismo, insurreição armada contra a segurança e a soberania do Estado, além de outros crimes, devido ao suposto envolvimento nos protestos e bloqueios de rodovias ocorridos entre maio e junho para exigir a renúncia do atual presidente do país, Rodrigo Paz.

A ordem, emitida pelo promotor Brayan Melgar, também atribui a Morales os supostos crimes de atentado contra a segurança dos meios de transporte, associação criminosa, incitação pública ao crime e atentado contra a segurança dos serviços públicos. O mandado de segurança foi noticiada pela agência de notícias EFE e pelo jornal boliviano El Deber.

No documento, Melgar ordena ao policial designado para o caso que “prenda e conduza” Morales à Unidade Policial Especializada no Combate à Corrupção, informa o El Deber. A ordem indica que a investigação foi aberta a partir de uma denúncia do Comitê Pró-Santa Cruz, representado por seu presidente, Stello Cochamanidis Garcés, e que posteriormente foi acrescentada uma denúncia apresentada pelo Ministério do Governo, assumida pelo ministro Marco Antonio Oviedo Huerta.

Prejuízos de mais de R$ 15 bilhões

Durante 53 dias, entre maio e junho, trabalhadores rurais de La Paz e a Central Operária Boliviana (COB) promoveram bloqueios de rodovias, principalmente no Oeste e no centro da Bolívia, com o apoio de grupos aliados de Morales, para exigir a renúncia de Paz como “única reivindicação”.

Os bloqueios provocaram o desabastecimento de alimentos, combustíveis e oxigênio hospitalar em várias cidades, deixaram pelo menos 16 mortos – 13 deles pela falta de atendimento médico oportuno devido aos bloqueios – e causaram prejuízos econômicos superiores a 3 bilhões de dólares (R$ 15 bilhões).

A ação na Justiça também inclui o principal dirigente da COB, Marco Argollo, e o principal líder dos camponeses de La Paz, Vicente Salazar, que permanece em prisão preventiva desde 6 de julho por causa de outra investigação relacionada a esses mesmos fatos.

Ex-presidente nega acusações

Morales nega ter instado os apoiadores a exigirem a renúncia de Paz e diz que as mobilizações tinham como objetivo fazer com que o governo respondesse às demandas dos setores mobilizados. No entanto, em 24 de maio, ele escreveu na rede social X que o mandatário tinha apenas “dois caminhos” diante dos conflitos, “militarizar” o país ou convocar eleições nos 90 dias seguintes.

Após fechar acordos com setores como a COB, Paz decretou em 20 de junho o estado de exceção para liberar os bloqueios, momento em que a Polícia e as Forças Armadas se mobilizaram nas rodovias para retirar os obstáculos e restabelecer a circulação.

Morales permanece desde outubro de 2024 no Trópico de Cochabamba, seu reduto político e sindical, vigiado por centenas de apoiadores para evitar o cumprimento de um mandado de prisão contra ele devido a uma investigação sobre tráfico qualificado de pessoas.

O ex-presidente também é acusado por suposta relação com uma menor de idade com quem teria tido uma filha enquanto era presidente, em 2016.

Em maio, um tribunal da região sul de Tarija declarou Morales em rebeldia e expediu um novo mandado de prisão por ele não ter comparecido ao início do julgamento desse processo. A polícia afirma que aguarda o momento adequado para executar a ordem. (Com agências internacionais)