China promete defender interesses após EUA anunciar plano para sufocar a economia iraniana

A nova investida do governo do presidente Donald Trump contra o Irã e seus parceiros comerciais elevou as tensões entre as duas maiores potências do planeta, Estados Unidos e China.

O governo chinês se pronunciou nesta terça-feira (25) com um alerta de que “fará o que for necessário” para defender seus direitos e interesses, acusando os EUA de desestabilizar a ordem financeira global ao impor seu plano para sufocar a economia iraniana.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, afirmou, em entrevista coletiva, que a cooperação entre seu país e o Irã “sempre ocorreu dentro da estrutura do direito internacional”, ao ser questionado sobre as novas sanções e se Pequim modificaria suas relações com Teerã para cumprir as exigências de Washington.

Na segunda-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, apresentou planos para “cortar todas as linhas de sustentação econômica” do Irã, mirando uma rede que fornece apoio financeiro à República Islâmica.

Pequim desafia as sanções americanas e continua comprando petróleo iraniano. Ao mesmo tempo, a China fornece a Teerã matérias-primas e tecnologia que sustentam a economia e capacidade militar do país, em guerra desde fevereiro, quando começaram os ataques dos Estados Unidos e Israel.

O porta-voz chinês também rejeitou a “guerra econômica” e a “pressão máxima”, que, segundo afirmou, “não ajudam a resolver os problemas” e servirão apenas para intensificar as tensões e gerar riscos para outros países.

“A prioridade urgente é diminuir a tensão e voltar o mais rápido possível ao caminho do diálogo e das negociações”, acrescentou Lin.

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A reação dos EUA

O governo americano pareceu reagir com cautela à resposta da China. Quase seis meses após o início da guerra envolvendo o Irã, os Estados Unidos vivem o dilema de não querer se indispor contra uma potência cada vez mais propensa a retaliar, ainda mais a um mês da visita do líder chinês, Xi Jinping, aos EUA.

No anúncio de segunda-feira, Bessent divulgou ainda sanções contra mais de 60 entidades, indivíduos e navios de diferentes países que, segundo Washington, permitem ao Irã adquirir tecnologia nuclear e de mísseis, realizar operações cibernéticas e gerar receitas petrolíferas.

Apesar de a medida não impactar diretamente nenhuma entidade da China continental, há duas empresas do ramo petrolífero entre as sancionadas que são de Hong Kong, território semiautônomo sob domínio da China.

O secretário do Tesouro também advertiu na segunda que cada país tem um prazo determinado para encerrar as atividades identificadas por Washington e garantiu que os EUA atuarão unilateralmente contra aqueles que não o fizerem.

Nos últimos anos, a China tem sido a principal compradora de petróleo iraniano, chegando a responder por cerca de 90% de suas exportações de petróleo bruto, o que a coloca na linha de frente das sanções anunciadas pelo governo Trump. (Com agências internacionais)